O assassinato de Mariam Cisse, influenciadora do TikTok com aproximadamente 90 mil seguidores, causou grande comoção no Mali e expôs a crescente crise de segurança no país. Cisse foi sequestrada e executada por supostos membros do grupo jihadista Jama’at Nasr al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à Al-Qaeda, sob a acusação de colaborar com o exército malinês.
O sequestro ocorreu no dia 6 de novembro, quando terroristas armados a retiraram de uma feira local durante uma transmissão ao vivo. Seu irmão relatou que os jihadistas a acusaram de repassar informações sobre os movimentos do grupo às forças armadas.
Conhecida por seu apoio aos militares, Cisse frequentemente aparecia em seus vídeos vestindo uniformes do exército. No dia seguinte ao sequestro, em 7 de novembro de 2025, ela foi levada de motocicleta até a Praça da Independência, na cidade de Tonka, e executada publicamente diante de sua família e de uma multidão.
O irmão de Mariam, forçado a assistir à execução, descreveu o evento como devastador. Fontes de segurança classificaram o assassinato como um ato de “barbárie”, enquanto um funcionário local o considerou “ignóbil”, afirmando que o objetivo dos terroristas era desencorajar o apoio popular às forças governamentais. A notícia gerou indignação e medo entre os moradores, que percebem um aumento da violência jihadista na região.
O JNIM, apontado como a principal ameaça na região do Sahel, tem intensificado suas ações no Mali. O grupo impôs bloqueios de combustível que resultaram no fechamento de escolas e prejuízos às colheitas. Além disso, financia suas operações por meio de sequestros e cobrança de impostos, expandindo seu controle territorial. O JNIM busca implantar a lei islâmica (sharia) e substituir as autoridades locais, governando de forma indireta através de acordos com comunidades regionais.
A junta militar que governa o Mali desde os golpes de Estado de 2020 e 2021 enfrenta críticas pela incapacidade de conter o avanço jihadista. O presidente Assimi Goita pediu à população que evite deslocamentos e prometeu garantir o abastecimento de combustível, em meio a uma crise que já deixou o país sem controle efetivo sobre grande parte de seu território.
Fonte: gazetabrasil.com.br