Uma investigação do Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) trouxe à tona um suposto esquema de fraudes envolvendo gestores de times de futebol de Brasília e o ex-senador Luiz Estevão, de 76 anos. As apurações indicam a participação do empresário em ações de estelionato e lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras bilionárias relacionadas a compras e aluguéis de imóveis na capital federal entre 2011 e 2021. As operações, que utilizam empresas de fachada, levantaram suspeitas de enriquecimento ilícito e desvio de recursos públicos. O caso, batizado de Operação Al Capone, remete ao famoso mafioso italiano e culminou na abertura de processos na Justiça do Distrito Federal.
Operação Al Capone
A Operação Al Capone, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPDF, investiga um esquema complexo que envolve diversas empresas e pessoas ligadas a Luiz Estevão. Em 2022 e 2023, foram abertos dois processos judiciais, um civil e outro criminal. O processo civil, que visa o ressarcimento de valores ao erário, está em andamento, enquanto o criminal foi arquivado sem julgamento em maio do ano passado. A defesa dos envolvidos alega que as acusações são infundadas e foram rejeitadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Acusações e movimentações financeiras
O MPDF aponta que Luiz Estevão lidera um grupo econômico que promoveu enriquecimento ilícito e manipulação financeira por meio de empresas de fachada. Essas empresas, segundo as investigações, movimentaram R$ 2,5 bilhões entre 2013 e 2019, com um total de R$ 1,5 bilhão em transações internas. Além disso, foram identificados R$ 336 milhões em impostos não pagos ao Governo do Distrito Federal, ressaltando a gravidade das condutas investigadas.
Relação com o futebol
Embora a investigação não esteja diretamente ligada ao futebol, as conexões de Luiz Estevão com o esporte são evidentes. O ex-senador controla cinco times de Brasília que competem nas mesmas ligas e frequentemente realizam transações de jogadores entre si. Essa prática, além de levantar suspeitas de irregularidades, contraria as diretrizes de fair play financeiro estabelecidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Decisões judiciais e desdobramentos
Em maio de 2025, a Quinta Turma do STJ decidiu trancar o processo criminal da Operação Al Capone, sem que as acusações fossem julgadas. Essa decisão permite que as alegações do MPDF permaneçam sem avaliação, deixando a ação penal sem resolução. No entanto, um processo cível continua em andamento, com mais de 8 mil páginas de alegações e pedidos de indenizações no valor de R$ 128,8 milhões, além da dissolução das empresas envolvidas.
Personagens centrais da investigação
Entre os indivíduos investigados, destacam-se Maria Vânia Pinheiro de Brito e José Eduardo Bariotto Ramos, que têm papéis significativos na estrutura dos times de futebol associados a Luiz Estevão. Vânia Brito, funcionária do grupo empresarial, é identificada como proprietária do clube Samambaia, embora tenha se negado a comentar a situação. Eduardo Ramos, dirigente do Brasiliense, está ligado a múltiplos clubes da região, mas também refutou as informações sobre sua relação com o esquema.
Consequências para o futebol brasiliense
As implicações da Operação Al Capone no cenário do futebol em Brasília são significativas. A investigação não apenas destaca as práticas questionáveis de gestão e financiamento no esporte, mas também expõe uma rede de corrupção que pode afetar diretamente a credibilidade das competições locais. A continuidade das investigações pode trazer à tona mais detalhes sobre como esses esquemas operacionais impactam o futebol e o uso de recursos públicos.
Fonte: https://www.estadao.com.br