Um relatório bombástico da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado em 1976 pela ditadura militar. A nova versão, que choca o país, foi revelada nesta sexta-feira (8) pela Folha de S.Paulo.
O documento, com mais de 5 mil páginas e elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, contesta frontalmente a versão oficial de acidente de carro e aguarda votação para ser oficialmente reconhecido.
A morte de Juscelino Kubitschek ocorreu em agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ). A narrativa vigente por décadas afirma que o Chevrolet Opala em que ele estava invadiu a pista contrária e bateu contra um caminhão, após supostamente ser atingido por um ônibus. O motorista também não sobreviveu.
Desde então, inúmeras teorias e investigações sugeriram um possível atentado político, especialmente considerando o período da ditadura militar no Brasil e o contexto da Operação Condor, que coordenava ações repressivas entre regimes autoritários sul-americanos.
A questão da morte de JK sempre gerou controvérsia. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade havia descartado a participação militar. No entanto, comissões estaduais de São Paulo e Minas Gerais, além de uma municipal em São Paulo, já defendiam a hipótese de assassinato político.
Em fevereiro de 2025, o governo Lula decidiu reabrir o caso, baseando-se em um laudo do engenheiro e perito Sergio Ejzenberg. O parecer, concluído em 2019 e contratado pelo Ministério Público Federal, contestou análises anteriores e rejeitou a hipótese de colisão entre o Opala e um ônibus antes do choque com a carreta.
O Ministério dos Direitos Humanos esclareceu que a decisão sobre o reconhecimento de desaparecidos políticos é votada por maioria simples na CEMDP. O relatório atual ainda está sob análise dos membros e não foi submetido à votação.
Devido ao extenso volume de anexos e à necessidade de informar os familiares de JK sobre o conteúdo das apurações, a votação final ocorrerá após esse contato, sem data definida. O caso da morte de Juscelino Kubitschek segue, portanto, em complexa apuração no Brasil.