A tradicional associação entre a socialização adulta e o consumo de bebidas alcoólicas, como destilados, vinhos e cervejas, tem sido um pilar cultural por décadas. O brinde, o relaxamento pós-trabalho e os encontros à mesa eram quase sinônimos de experiências que incluíam álcool. Para aqueles que optavam por não beber, as alternativas eram limitadas e, muitas vezes, insatisfatórias: refrigerantes açucarados, sucos com apelo infantil ou a simplicidade da água. Contudo, essa equação está passando por uma significativa reavaliação. Uma nova era de drinques sem álcool está emergindo, questionando a relação intrínseca entre prazer e entorpecimento. Nesse cenário de mudança, o aperitivo LUCIA surge como um protagonista, buscando conquistar uma fatia considerável deste promissor mercado de bebidas não alcoólicas, oferecendo uma opção sofisticada e complexa para quem busca celebrar e socializar sem o teor etílico.
A gênese de uma nova tendência
Da necessidade pessoal à oportunidade de mercado
A criação do aperitivo LUCIA não se deu a partir de uma análise fria de mercado ou de uma oportunidade financeira óbvia. Sua origem reside em uma necessidade real, percebida e vivida pelas suas fundadoras, Bertha Jucá e Victória Linhares. “LUCIA surgiu de um desejo muito pessoal meu e da Bertha de criar algo que conversasse com a nossa rotina e com o estilo de vida que buscamos”, afirma Victória Linhares. A paixão de Bertha por esporte e saúde, aliada ao profundo valor que Victória atribui ao bem-estar e à socialização, os encontros e o ritual do brinde, impulsionou a busca por uma solução que alinhasse esses universos.
O problema central era a inexistência de algo no mercado brasileiro que oferecesse esse equilíbrio. Em uma viagem ao exterior, Bertha Jucá observou como o movimento de bebidas sem álcool já estava consolidado em outros países. Ao retornar ao Brasil, as duas empreendedoras aprofundaram seus estudos sobre o comportamento global de consumo e identificaram uma lacuna clara: um público crescente que buscava reduzir o consumo de álcool, mas que, ao mesmo tempo, não queria abrir mão de experiências sensoriais ricas e dos rituais sociais. A partir dessa constatação, o projeto LUCIA começou a tomar forma, transcendendo a mera ideia de lançar uma bebida para se tornar a concepção de uma marca com identidade forte, capaz de inspirar um estilo de vida e de ser desejada tanto pela sua qualidade quanto pela sua estética, tornando-se um item de desejo para bares domésticos e um produto naturalmente compartilhável em plataformas digitais.
A alquimia por trás do sabor
Ingredientes brasileiros e adaptógenos: uma fórmula única
Para transformar o desejo em um produto tangível e de alta qualidade, as fundadoras de LUCIA buscaram expertise renomada. Convidaram José Luiz Soares, do Pão ao Caviar, e a mixologista Michelle Rossi, do Bar dos Arcos, para liderar o desenvolvimento. A missão era desafiadora: criar um aperitivo não alcoólico que pudesse igualar a estrutura, a presença e a complexidade sensorial de um bom destilado. O processo foi intenso, com mais de cinquenta versões testadas e refinadas até se chegar à fórmula final.
O desenvolvimento começou com uma extensa pesquisa de campo, que incluiu a degustação de dezenas de bebidas sem álcool importadas. A constatação foi unânime: nenhuma delas entregava a profundidade e o perfil que buscavam. A decisão foi, então, criar algo totalmente do zero, com uma identidade marcadamente brasileira e uma alma genuinamente gastronômica. A escolha do cupuaçu como base foi estratégica, trazendo notas florais e uma textura quase cremosa ao paladar. A casca de limão siciliano adicionou frescor e um brilho aromático vibrante, enquanto o amargor sutil da artemísia conferiu profundidade à bebida. Contudo, o toque decisivo e inovador veio do jambu, uma planta amazônica conhecida por provocar uma sensação de dormência e formigamento na boca, simulando a pungência e a resistência características do álcool, sem seus efeitos etílicos.
Além dos ingredientes tipicamente brasileiros, a fórmula de LUCIA incorporou plantas adaptógenas, como o ginseng e a valeriana. Enquanto o álcool classicamente entorpece, essas plantas são conhecidas por despertar e equilibrar. O ginseng, por exemplo, é valorizado por favorecer a motivação e o foco, enquanto a valeriana promove um estado de relaxamento sem induzir sonolência. A seleção de cada componente foi meticulosa, visando construir uma complexidade sensorial que se manifestasse plenamente no aroma, no corpo e no final de boca. A LUCIA não foi concebida apenas para ser apreciada pura. Desde as fases iniciais de desenvolvimento, a intenção era que ela funcionasse também como um acompanhamento versátil para refeições, com um equilíbrio de sabores que permitisse harmonizar desde o aperitivo até a sobremesa.
O perfil sensorial de LUCIA foi cuidadosamente arquitetado, levando em consideração acidez, dulçor, citricidade, refrescância, amargor, especiarias e pungência. A acidez tem a função de limpar o palato, especialmente útil com pratos mais gordurosos ou proteínas intensas, de forma análoga à ação de um vinho branco. A picância conferida pelo gengibre, jambu e pimentas adiciona vivacidade, combinando perfeitamente com carnes braseadas, cordeiro, porco e culinárias ricas em especiarias. O amargor da artemísia, por sua vez, garante um peso na boca e um alongamento do sabor. Victória Linhares ressalta a versatilidade do produto: “LUCIA foi pensada para funcionar sozinha, mas também como base de coquetel não alcoólico. Se um prato pede mais acidez, mais herbalidade ou mais frescor, é possível montar um drinque usando LUCIA como espinha dorsal e ajustar o restante de acordo com o contexto gastronômico”.
Conquista do mercado e visão de futuro
A aceitação de LUCIA no mercado gastronômico foi imediata e surpreendente. Nos poucos pontos físicos onde o aperitivo foi introduzido, ele se tornou um sucesso, com chefs, proprietários de restaurantes e profissionais de bar solicitando a inclusão da bebida em seus cardápios antes mesmo que a marca tivesse uma estrutura robusta para expandir. Essa resposta entusiasmada por parte dos bartenders é atribuída ao fato de que LUCIA não se posiciona como um mocktail genérico. Ela possui uma identidade própria e marcante, podendo ser servida sozinha ou utilizada como base para criações autorais. As fundadoras visualizaram essa recepção desde o início: “Desde o início imaginávamos LUCIA exatamente assim. Nos bares das casas, nos bares dos restaurantes, sendo pedida pelo nome. Não como um mocktail, mas como ‘quero uma LUCIA’. E também inspirando mixologistas a criarem drinques próprios, como uma LUCIA sour, sempre com a personalidade da bebida como protagonista”, explica Victória.
A visão para LUCIA desde o primeiro dia era de ser mais do que uma bebida isolada; era a de construir uma marca com uma perspectiva de longo prazo. Para o ano de 2026, a empresa já estuda novos lançamentos, indicando um pipeline de inovação contínuo. A expansão para o canal B2B também está no horizonte, com planos ambiciosos de distribuição em supermercados, restaurantes, hotéis, bares e em novos estados. Além da expansão de produtos e canais, o projeto LUCIA criou o “The Day After Club”, uma comunidade que materializa a visão de estilo de vida da marca, buscando aproximar as pessoas e fomentar um senso de pertencimento entre os consumidores.
O potencial de LUCIA não passou despercebido pelo mercado de investimentos. A bebida já captou um investimento inicial de R$ 4 milhões, e seu quadro societário inclui nomes com passagens por grandes corporações como Ambev, Boticário, Coca-Cola e LVMH, o que demonstra a solidez e a credibilidade do projeto. Com tamanha estrutura e expertise, a empresa projeta um faturamento ambicioso de R$ 10 milhões já no primeiro ano de operação, uma meta que revisa para cima a previsão inicial, que estimava alcançar esse valor somente no segundo ano. Este cenário posiciona LUCIA não apenas como um produto inovador, mas como um movimento disruptivo no universo das bebidas, redefinindo o conceito de brinde e celebração na cultura brasileira contemporânea.
Fonte: https://www.estadao.com.br