O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou suas críticas à política externa do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MST), realizado em Salvador. Em seu discurso, Lula se manifestou contra a criação do chamado "Conselho de Paz", uma proposta que, segundo ele, busca enfraquecer o multilateralismo e substituir a função das Nações Unidas. O presidente brasileiro destacou a importância de fortalecer as instituições internacionais em vez de criar novas estruturas que possam centralizar o poder nas mãos de um único país.
Críticas à proposta de Trump
Lula referiu-se à proposta de Trump como uma tentativa de "rasgar" a carta da ONU. Ele enfatizou que, ao invés de corrigir as falhas da Organização das Nações Unidas, o presidente americano busca estabelecer uma nova entidade na qual ele teria controle absoluto. "Está prevalecendo a lei do mais forte. O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU em que ele sozinho é o dono", afirmou Lula, ressaltando a necessidade de um sistema multilateral mais justo e representativo.
Desconfiança em relação ao novo organismo
O Brasil foi convidado a fazer parte do novo Conselho de Paz, que tem como objetivo inicial mediar o conflito na Faixa de Gaza. No entanto, o governo brasileiro expressou sua desconfiança em relação à carta de criação do grupo, que não define claramente os limites de atuação em outras áreas de interesse global. Essa ambiguidade poderia colocar em risco as funções do Conselho de Segurança da ONU, aumentando a preocupação sobre a eficácia das abordagens tradicionais para a resolução de conflitos.
Condenação ao projeto imobiliário de Trump
Além de criticar o Conselho de Paz, Lula também se opôs ao projeto imobiliário apresentado por Trump para a Faixa de Gaza. O plano inclui a construção de 180 arranha-céus e resorts de luxo, desconsiderando a grave situação humanitária da região. O presidente brasileiro questionou a lógica de um projeto que ignora a dor e a perda de vidas na área afetada. "Mataram mais de 70 mil pessoas para dizer agora: nós vamos recuperar Gaza fazendo hotel de luxo. E o povo que morreu?", indagou, enfatizando a necessidade de soluções que atendam às necessidades básicas da população local.
Alternativas habitacionais
Lula sugeriu que, em vez de desenvolver empreendimentos turísticos, a região precisa de habitação digna para a população de baixa renda. Ele mencionou o programa "Minha Casa, Minha Vida" como um modelo que poderia ser aplicado em Gaza, sublinhando a importância de construir moradias adequadas para aqueles que mais precisam. Em tom irônico, o presidente convidou Trump a aprender com as experiências brasileiras nesse aspecto, incitando aplausos do público presente.
Articulação internacional em defesa do multilateralismo
Em resposta às iniciativas de Washington, Lula tem se empenhado em articular uma reação conjunta com outros líderes globais, visando fortalecer o multilateralismo. O presidente brasileiro revelou que mantém diálogos com chefes de Estado de países como Rússia, China, México e Índia, além de conversas com a Autoridade Palestina. Essas interações têm como objetivo reforçar as instâncias internacionais tradicionais e garantir que a voz de diversas nações seja ouvida em um cenário cada vez mais polarizado.
Defesa da cooperação internacional
Lula enfatizou a importância de unir esforços para enfrentar desafios globais, como a desigualdade, as mudanças climáticas e os conflitos armados. Ele reiterou que a cooperação internacional é fundamental para alcançar soluções duradouras e justas, destacando que o fortalecimento das instituições multilaterais é essencial para garantir a paz e a segurança no mundo. A postura do Brasil, sob a liderança de Lula, busca reafirmar o compromisso do país com uma ordem internacional baseada na colaboração e no respeito à soberania dos povos.
Fonte: https://gazetabrasil.com.br