Políticos do Paraguai acusaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "distorcer a história" ao comentar a Guerra de 1864. A declaração, feita na sexta-feira (24) em Jacareí (SP), provocou forte reação no Congresso vizinho.
Lula afirmou que o conflito começou com uma invasão paraguaia ao Brasil, tese contestada por deputados e senadores que apontam a intervenção brasileira no Uruguai como estopim.
O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, classificou a fala de Lula como "leveza" sobre "a maior tragédia" do país. Latorre lembrou que a Guerra da Tríplice Aliança dizimou grande parte da população paraguaia e foi desencadeada pela intervenção militar do Brasil no Uruguai.
Outros parlamentares também reagiram. O deputado Rubén Rubín acusou Lula de tentar "reescrever o passado", enquanto a senadora Esperanza Martínez viu "resquícios do imperialismo" na declaração. O senador e historiador Eduardo Nakayama reforçou que Lula omitiu o avanço do exército brasileiro sobre o Uruguai, fato crucial para a escalada do conflito mais sangrento da América do Sul.
Durante o evento em São Paulo, Lula defendeu o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras. Ele citou a Guerra do Paraguai para ilustrar a necessidade de preparo militar, afirmando que o país vizinho "decidiu invadir o Brasil" na época.
A discussão sobre a versão histórica da Guerra do Paraguai segue repercutindo nas relações entre os dois países.