Macaé concluiu uma importante capacitação voltada para 130 agentes comunitários de saúde, focando na atenção integral à população negra. A iniciativa, que visa combater o racismo institucional e aprimorar o atendimento, reforça a urgência de discussões sobre equidade em saúde que reverberam por toda a Região dos Lagos, incluindo Rio das Ostras.
Aprofundamento na Saúde da População Negra
Realizada em três encontros ao longo de março e finalizada em 1º de abril no Hospital Municipal de Macaé (HPM), a formação abordou temas como a importância da autodeclaração raça/cor no sistema de saúde e a identificação de doenças específicas, como a anemia falciforme. A orientação a gestantes negras e a promoção de ações educativas também foram pontos centrais.
A especialista Rosângela Gomes Paulo, que conduziu a formação, destacou o papel estratégico dos agentes comunitários. Eles são essenciais na disseminação de conhecimento e na promoção de mudanças nos indicadores de saúde dentro das comunidades.
Para a Região dos Lagos, onde a diversidade populacional é uma realidade, a compreensão dessas especificidades é um passo adiante para um atendimento mais inclusivo e eficaz. Rio das Ostras, com seu crescimento demográfico, também enfrenta o desafio de adaptar seus serviços de saúde às necessidades de cada grupo.
Relevância para a Região e o Sistema Único de Saúde
A coordenadora do Programa de Saúde da População Negra em Macaé, Jéssika Celestino, afirmou que a capacitação está alinhada à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSPN), instituída em 2009. Essa política reconhece o racismo como um determinante social da saúde, orientando ações de promoção, prevenção e cuidado integral.
A qualificação contínua das equipes é fundamental para aprimorar a coleta de dados e gerar indicadores mais precisos. Isso permite um planejamento mais assertivo das políticas públicas, beneficiando todos os moradores da região, que muitas vezes compartilham perfis epidemiológicos e desafios sociais.
Em Rio das Ostras, como em outras cidades vizinhas, agentes comunitários de saúde desempenham uma função vital. Eles estão inseridos nos territórios, facilitando o acesso aos serviços, identificando agravos mais prevalentes como hipertensão e diabetes, e fortalecendo o registro da autodeclaração raça/cor, o que impacta diretamente a Vigilância em Saúde.
Dados e Próximos Passos na Equidade
Dados do IBGE (2022) indicam que 62% da população de Macaé se autodeclara negra. Na rede municipal de saúde da cidade, mais da metade dos atendimentos (53,02%) é direcionada a esse grupo. Essa realidade, com desafios como a maior incidência de doenças cardiovasculares, mostra a importância de políticas públicas específicas.
A coordenadora geral do Núcleo de Educação Permanente em Saúde (Neps), Eliane de Araújo, salientou que o Neps busca fortalecer o desenvolvimento de profissionais, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo. Isso é essencial para um acolhimento humanizado na rede pública de saúde, beneficiando toda a população atendida pelo SUS.
O Programa de Saúde da População Negra em Macaé continuará com uma agenda de ações ao longo do ano. O objetivo é garantir um acesso qualificado e equânime aos serviços, respeitando as especificidades de cada cidadão. Essa abordagem serve de exemplo para que Rio das Ostras e demais municípios da região possam replicar e adaptar suas próprias estratégias de saúde.
Acompanhe o Rio das Ostras Jornal para mais informações sobre as políticas de saúde e o impacto delas na nossa cidade e em toda a Região dos Lagos.
Fonte: https://www.macae.rj.gov.br