Uma megaoperação policial deflagrada contra o Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio de Janeiro resultou em um número de mortos que ultrapassa o trágico massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992. A ação, que se concentrou nos complexos do Alemão e da Penha, desencadeou uma onda de comoção e relatos chocantes.
Até a tarde desta quarta-feira, autoridades do Rio confirmaram 119 mortos na operação, incluindo quatro policiais. O número é superior aos 111 detentos mortos durante a intervenção policial no Carandiru após uma rebelião.
Moradores do Complexo da Penha relatam cenas de horror. Segundo relatos, ao menos 60 corpos foram levados para a Praça São Lucas durante a madrugada e o início da manhã de hoje. Uma moradora, identificada como Jéssica, descreveu um cenário sem precedentes no país, em meio a tentativas desesperadas de identificação das vítimas.
Há relatos de corpos amarrados e com sinais de violência extrema, incluindo ferimentos por faca. A reportagem apurou a informação de ao menos um corpo decapitado.
A operação, defendida pelo governador Cláudio Castro como um sucesso, é considerada a mais letal da história do estado. Cerca de 2,5 mil policiais, com o apoio de veículos blindados e helicópteros, participaram da ação em áreas dominadas pelo crime organizado. Houve relatos de que o Comando Vermelho utilizou drones com bombas em resposta à ofensiva.
A megaoperação mais recente supera o número de mortos em outras duas ações policiais que também ocorreram durante o governo de Cláudio Castro: 23 mortos na Penha, em 2022, e 28 mortos no Jacarezinho, em 2021.
O massacre do Carandiru, ocorrido em 1º de outubro de 1992, permanece como um marco trágico na história do sistema prisional brasileiro. Um ex-detento relatou que o conflito inicial envolveu três presos no pavilhão 9, um deles armado. A intervenção policial resultou em inúmeras mortes e feridos.
Fonte: jovempan.com.br