O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter feito uma retirada seletiva do sigilo no polêmico caso Master. A defesa do ministro veio em resposta a duras críticas de colegas e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A controvérsia, que expõe divergências internas na Corte sobre a transparência do processo, surge às vésperas do julgamento do tema pelo plenário do STF.
Mendonça afirmou que a abertura de parte dos documentos atendeu a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Segundo ele, a manutenção de sigilo em outros procedimentos visa proteger investigações em andamento e dados pessoais, incluindo informações bancárias e fiscais.
A PGR, contudo, havia solicitado a retirada completa do sigilo, argumentando que a divulgação parcial poderia gerar uma "ideia equivocada de transparência". O órgão apontou que a lista de Mendonça excluía grande parte dos documentos ligados à Operação Compliance Zero.
O ministro Alexandre de Moraes também criticou a liberação "seletiva", pedindo o levantamento integral do sigilo. Ele afirmou que 180 documentos e arquivos digitais importantes não foram disponibilizados, prejudicando a análise completa dos fatos.
Já o ministro Cristiano Zanin solicitou acesso a uma mídia específica do caso. Ele alega que o material é crucial para analisar requerimentos da PGR que serão julgados na próxima semana.
O caso Master envolve apurações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A disputa pelo sigilo também toca em frentes investigativas ligadas ao senador Jaques Wagner e ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
A expectativa agora se volta para o julgamento da próxima terça-feira, quando o plenário do STF deverá analisar os requerimentos da PGR e os pedidos de acesso apresentados pelos ministros Zanin e Moraes.