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Ministério da Saúde assina contrato milionário para vacina da dengue do Butantan

© João Risi/MS

O Ministério da Saúde deu um passo significativo no combate à dengue ao formalizar, nesta sexta-feira (19), em São Paulo, a aquisição das primeiras doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O contrato, avaliado em cerca de R$ 368 milhões, garante a entrega inicial do imunizante. A vacina Butantan-DV, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início deste mês, representa um marco global como o primeiro imunizante de dose única contra a doença. Sua aplicação é destinada à população brasileira com idade entre 12 e 59 anos, prometendo ser uma ferramenta essencial na estratégia nacional de saúde pública. Essa iniciativa reforça o compromisso do país em enfrentar uma das enfermidades que mais afetam a saúde dos brasileiros, com a expectativa de iniciar as aplicações ainda em janeiro.

Aquisição e lançamento do imunizante Butantan-DV

A assinatura do contrato para a compra das primeiras doses da vacina Butantan-DV marca o início de uma nova fase na luta contra a dengue no Brasil. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan, é pioneiro por ser a primeira vacina de dose única contra a doença no mundo, destinada à faixa etária de 12 a 59 anos. A aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo deste mês chancelou a segurança e a eficácia do produto, permitindo sua incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A expectativa é que essa nova ferramenta contribua substancialmente para a redução dos casos e da gravidade da dengue no país.

Primeiras doses e início da aplicação

Nos próximos dias, o Instituto Butantan deverá entregar ao Ministério da Saúde 300 mil doses iniciais da vacina. Estas serão prioritariamente utilizadas para vacinar os voluntários que participaram dos estudos clínicos do imunizante, em reconhecimento à sua contribuição fundamental. Além disso, a vacinação será estendida aos municípios de Botucatu, em São Paulo, e Maranguape, no Ceará. Há também a possibilidade de inclusão de Nova Lima, em Minas Gerais, onde serão realizados estudos de avaliação sobre o impacto da vacinação em massa na população. A previsão é que as aplicações dessas primeiras doses comecem entre os dias 17 e 18 de janeiro, representando o pontapé inicial de uma campanha que visa vacinar entre 40% e 50% da população para um controle efetivo da infecção e do quadro epidêmico da dengue. O monitoramento do impacto nessas cidades será feito ao longo dos anos para avaliar a eficácia da estratégia.

Expansão da cobertura e capacidade de produção

A estratégia de imunização contra a dengue não se limitará às primeiras 300 mil doses. Até o final de janeiro, o Butantan tem o compromisso de entregar mais 1 milhão de doses ao Ministério da Saúde. Estas novas remessas serão direcionadas à vacinação dos profissionais da Atenção Primária, incluindo aqueles que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e realizam visitas domiciliares, reconhecendo seu papel essencial na linha de frente da saúde pública.

Estratégia de vacinação e o papel do PNI

A distribuição e a aplicação da vacina ocorrerão por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), um dos maiores e mais bem-sucedidos programas de vacinação do mundo. Conforme novas doses forem disponibilizadas pelo Butantan, o Ministério da Saúde planeja estender a vacinação ao público geral. A campanha deverá ser iniciada pelos adultos de 59 anos e avançará gradualmente, cobrindo as faixas etárias mais jovens até atingir os 15 anos de idade. É importante notar que adolescentes entre 10 e 14 anos já estão sendo imunizados contra a dengue com outro imunizante, desenvolvido pelo laboratório japonês Takeda, que requer duas doses. Desde 2024, quando o Brasil se tornou o primeiro país a incorporar essa vacina na rede pública, mais de 7,4 milhões de doses foram aplicadas, e o Ministério da Saúde já garantiu a compra de mais 9 milhões de doses para 2026. Atualmente, a vacina do Butantan não contempla idosos acima de 60 anos, pois os estudos clínicos com este público ainda não foram realizados, com previsão de início para janeiro.

Perspectivas futuras e parcerias internacionais

O Instituto Butantan trabalha intensamente para ampliar sua capacidade produtiva. O diretor do instituto assegurou que a instituição está empenhada em aumentar a produção, especialmente a partir do segundo semestre de 2026, por meio de parcerias estratégicas. A vacina Butantan-DV utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado e foi desenvolvida a partir de uma colaboração articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines. Essa parceria estratégica visa a entrega de 30 milhões de doses ao Ministério da Saúde até o segundo semestre de 2026. A vacina é destacada como um produto 100% nacional e brasileiro, fruto da dedicação, capacidade técnica e otimismo de pesquisadores e servidores do Instituto Butantan, fortalecendo a autonomia do país em tecnologias de saúde.

Eficácia e segurança da vacina

A segurança da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan foi um ponto de destaque durante o evento de assinatura do contrato. O Ministério da Saúde, por meio do ministro, assegurou que o imunizante é extremamente seguro e pode ser tomado sem receios. A afirmação é baseada em rigorosos processos de avaliação e em sua própria experiência como infectologista e especialista em vacinação, além de reforçar que não aprovaria uma vacina sem garantias de segurança, qualidade e eficácia.

Endosso das autoridades e testes clínicos

Os dados dos estudos clínicos mostram que mais de 70% das pessoas que já tomaram a vacina não apresentaram sinais ou sintomas de dengue, e mais de 90% evitaram formas graves da doença. Adicionalmente, nenhum dos participantes vacinados foi hospitalizado devido à dengue. Após uma análise técnica detalhada, a Anvisa aprovou o imunizante Butantan-DV. A avaliação demonstrou uma eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática na população de 12 a 59 anos, o que significa que em aproximadamente três quartos dos casos, a doença foi prevenida pela vacina. Além disso, o imunizante apresentou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra a dengue com sinais de alarme, conforme publicação na renomada revista The Lancet Infectious Diseases, reforçando a confiança na qualidade do imunizante.

Combate à dengue: vacinação e vigilância contínua

A introdução de uma nova vacina representa um avanço crucial, mas o combate à dengue exige uma abordagem multifacetada. O Ministério da Saúde alerta que, apesar da chegada dos imunizantes e de uma queda nos casos prováveis de dengue neste ano, a população brasileira não deve negligenciar as ações de combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui a necessidade de manter a guarda alta e as ações cotidianas de prevenção.

Panorama da doença no Brasil

O Brasil enfrentou um cenário desafiador em anos recentes. No ano passado, foram registrados 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, um número quatro vezes maior do que em 2023. Embora este ano, até meados de novembro, tenham sido notificados 1,6 milhão de casos prováveis, a enfermidade permanece uma preocupação constante. Desde o início dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já foram acometidos pela doença, evidenciando a urgência e a relevância de estratégias abrangentes de prevenção e controle. A vacinação surge como um pilar fundamental, mas a vigilância e a eliminação de focos do mosquito continuam sendo essenciais para proteger a saúde da população.

Entenda a dengue

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça intensa (especialmente atrás dos olhos), dores musculares e nas articulações, fadiga, náuseas, vômitos e manchas vermelhas na pele. Em casos mais graves, a doença pode evoluir para a dengue hemorrágica, que pode ser fatal. Uma das principais formas de prevenção da doença é o combate ao mosquito transmissor. Isso envolve a eliminação de qualquer tipo de recipiente que possa acumular água parada, como vasos de plantas, pneus velhos, garrafas e calhas entupidas, impedindo a reprodução do Aedes aegypti. A participação de toda a comunidade é crucial para o sucesso das medidas preventivas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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