O Ministério Público do Paraná identificou indícios de omissão de socorro por parte de Thayane Smith, de 19 anos, em relação a seu amigo Roberto Farias Tomaz, também de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná na virada do ano. O caso, que ocorreu durante o amanhecer do dia 1º de janeiro, gerou controvérsias, pois a promotoria diverge da Polícia Civil, que arquivou a investigação. Thayane e Roberto se separaram na trilha, e enquanto Thayane retornou ao acampamento com outro grupo, Roberto, perdido, sobreviveu por cinco dias até ser encontrado. A análise da promotoria foi divulgada em uma coletiva de imprensa no dia 15 de janeiro.
Circunstâncias da trilha
Thayane e Roberto decidiram assistir ao nascer do sol no Pico Paraná, conhecido por sua beleza natural, mas também por sua complexidade. Durante a descida, Roberto alega ter sido deixado para trás por Thayane, que se juntou a outro grupo. Em contrapartida, Thayane nega a acusação, afirmando que não abandonou o amigo. O jovem ficou perdido em uma área de difícil acesso, enfrentando condições climáticas adversas, como chuva, frio e neblina.
Condições de saúde de Roberto
O promotor Elder Teodorovicz destacou que Roberto apresentava sinais de debilidade física, como vômito e dificuldades de locomoção, o que torna a situação ainda mais crítica. Segundo a promotoria, Thayane tinha plena consciência do estado de saúde do amigo, mas mesmo assim decidiu não prestar a assistência necessária. Isso levanta questões sobre a responsabilidade de cada um em situações de risco, especialmente em ambientes naturais onde o auxílio pode ser crucial.
Análise da promotoria
A promotoria fundamentou sua posição na legislação brasileira, que estabelece um dever legal de solidariedade em situações de perigo iminente. O promotor Teodorovicz afirmou que Thayane descumpriu este dever ao não agir para ajudar Roberto. Ele indicou que a omissão de socorro pode ser caracterizada como crime, conforme o artigo 135 do Código Penal, que prevê penalidades para quem deixa de prestar assistência a pessoas em situação vulnerável.
Propostas de indenização
Além de caracterizar o caso como omissão de socorro, a promotoria solicitou que Thayane indenize Roberto em um valor equivalente a três salários mínimos, totalizando R$ 4.863. Adicionalmente, a jovem deve pagar R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que participou das buscas por Roberto durante cinco dias. Essa quantia refere-se aos custos operacionais do resgate e à mobilização de recursos humanos e materiais.
Serviço à comunidade
Como parte das medidas corretivas, o Ministério Público também determinou que Thayane preste serviços à comunidade por três meses, com uma carga de cinco horas semanais, em colaboração com o Corpo de Bombeiros. Essa ação visa não apenas reparar os danos causados, mas também promover a conscientização sobre a importância da solidariedade e da responsabilidade em situações de risco.
Repercussões e testemunhos
Após os eventos, Thayane e Roberto apresentaram versões diferentes do que ocorreu. Thayane afirma que não abandonou Roberto e que, após retornar ao acampamento, tentou encontrá-lo ao perceber que ele não estava com o grupo. Ela reconheceu que cometeu um erro ao não esperar por Roberto, mas reafirmou que não teve a intenção de deixá-lo para trás. O caso gerou discussões sobre segurança em trilhas e a responsabilidade de grupos de amigos durante atividades ao ar livre.
Roberto, por sua vez, descreveu sua experiência angustiante ao se perder e enfrentar dificuldades extremas, incluindo a travessia de um rio e o salto de uma cachoeira, antes de encontrar abrigo em uma fazenda. Sua história ressalta a importância de estar preparado e de agir com cautela em ambientes naturais, onde os riscos são elevados e a solidariedade entre amigos é fundamental.
Fonte: https://jovempan.com.br