A Major League Soccer (MLS), a liga de futebol dos Estados Unidos, celebrou sua 30ª temporada com um suposto crescimento de 29% na audiência total. A liga busca se consolidar como uma empresa de mídia global, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, sediada em parte no país. No entanto, a metodologia utilizada para medir essa audiência levanta questionamentos sobre a veracidade desse crescimento.
A métrica utilizada, denominada “alcance total”, engloba visualizações ao vivo (Apple , FOX e Amazon Prime), engajamento digital (TikTok) e até mesmo interações no game EA FC Mobile. A inclusão do game na métrica de audiência é o ponto crucial da discussão. A mistura entre o consumo direto dos jogos e interações periféricas à marca gera uma distorção na análise.
Embora o “alcance total” possa ter valor para determinar o impacto digital da marca – atingindo 13,7 bilhões de impressões –, utilizá-lo como sinônimo de audiência é considerado impreciso. A falta de transparência da liga, que não separa os números em sua comunicação, impede a validação do crescimento da audiência real.
Os únicos dados de audiência disponíveis publicamente são provenientes da Apple , que reporta 120 mil espectadores únicos por partida na MLS. Esse número é considerado modesto para uma liga nacional. A MLS tenta compensar esse dado com o tempo de engajamento, que alcançou 60 minutos por espectador.
A liga argumenta que os métodos tradicionais de aferição de audiência não captam adequadamente o engajamento em serviços de streaming e novas mídias.
Curiosamente, enquanto a audiência digital é inflada, a métrica mais concreta, o público pagante nos estádios, apresentou uma queda de 5%, resultando em uma média de 21.988 pessoas por jogo. Apesar dessa diminuição, o público total de 11,2 milhões na 30ª temporada foi o segundo maior da história da liga. 19 clubes da MLS registraram uma média superior a 20 mil pessoas por partida.
Fonte: www.estadao.com.br