Beneficiários do programa federal, reformulado como Gás do Povo em 2026, relatam portas fechadas em revendas credenciadas e correm risco de perder o benefício de fevereiro, que garante a recarga gratuita de botijões de 13 kg para famílias de baixa renda; Semas e Procon devem agir imediatamente para garantir o direito das famílias
Famílias de baixa renda em Rio das Ostras estão enfrentando um grave obstáculo para garantir o acesso ao gás de cozinha, um item essencial para a dignidade e segurança alimentar. Moradores denunciam que postos de revenda estão se recusando a realizar a troca do vale do programa Auxílio Gás do Governo Federal, que foi reformulado e substituído pelo Programa Gás do Povo a partir de 2026. O benefício garante a recarga gratuita do botijão de 13 kg (GLP) a cada três meses, com o primeiro ciclo liberado em fevereiro.
Diante da gravidade das denúncias e do risco iminente de os vales de fevereiro perderem a validade, o Rio das Ostras Jornal cobra publicamente uma operação conjunta e imediata da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e do Procon de Rio das Ostras. É fundamental que as autoridades municipais inspecionem as revendas credenciadas e tomem medidas enérgicas contra aquelas que estiverem recusando a troca do benefício, assegurando o direito das famílias de baixa renda em Rio das Ostras à recarga gratuita do botijão de gás, conforme garantido pelo programa federal. O descumprimento pode configurar crime contra o consumidor, passível de denúncia na 128ª DP (Rio das Ostras).
Relatos de Indignação e Preocupação
O programa federal é focado em famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda por pessoa de até meio salário mínimo, com prioridade para beneficiários do Bolsa Família. O benefício permite a troca do botijão vazio por um cheio sem custo em revendas credenciadas. No entanto, os beneficiados pelo programa não conseguem efetivar a troca e já correm o risco de o vale de fevereiro perder a validade, sem terem conseguido o gás. As denúncias de portas fechadas e negativas de atendimento se multiplicam em diversos bairros da cidade.
“É uma vergonha o que estão fazendo com a gente. Recebi o vale em fevereiro, toda feliz que ia garantir o gás, e já fui em três lugares credenciados aqui no Âncora e nenhum aceitou. Eles dão desculpas de que o sistema tá fora do ar ou que não estão mais pegando o vale. Enquanto isso, o bujão tá acabando e eu não tenho dinheiro para comprar outro. O vale vai vencer e eu vou ficar sem gás”, lamentou Maria das Graças, moradora do bairro Âncora.
A situação também é crítica em Cidade Praiana, onde famílias relatam peregrinações frustradas em busca de revendas que cumpram o acordo com o governo federal.
“A gente se sente humilhada. O governo anuncia o programa, dá o vale, e quando a gente chega no depósito de gás, eles tratam a gente como se tivéssemos pedindo esmola. Eu fui com meu bujão vazio em duas revendas em Cidade Praiana e a resposta foi a mesma: ‘não estamos aceitando o vale gás’. É um direito nosso, tá garantido, mas na prática a gente não consegue usar. Eu tenho três filhos e dependo desse gás”, relatou indignada Ana Lúcia, moradora de Cidade Praiana.
O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando o caso e cobra um posicionamento das autoridades competentes sobre as medidas que serão tomadas para garantir que os beneficiários do Programa Gás do Povo consigam efetivar o seu direito à recarga gratuita do botijão de gás em Rio das Ostras.