Motoboys realizaram um protesto na manhã de quarta-feira, 28 de fevereiro, em frente à prefeitura de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, exigindo mais segurança após a morte de três entregadores em menos de uma semana. O último caso foi o do jovem Bruno dos Santos Barbosa, de 24 anos, que foi baleado durante um assalto no Centro do município. Os manifestantes, com cartazes e gritos de justiça, chamaram atenção para a crescente violência que afeta a categoria, que se sente vulnerável ao sair para trabalhar.
Motoboys exigem justiça e segurança
Durante o protesto, os motoboys expressaram sua indignação e medo diante da insegurança que enfrentam diariamente. A manifestação foi marcada por gritos de "Queremos paz", "Parem de nos matar" e "Queremos segurança". Sanderson Silva, conhecido como Gaspar, um dos organizadores, destacou que a categoria está lutando pela própria vida e pela vida dos colegas que foram assassinados. "Estamos aqui para lutar pela nossa vida e pela vida dos amigos que estão indo embora e ninguém está fazendo nada", afirmou.
A realidade da violência
Sanderson também trouxe um capacete manchado de sangue, pertencente à vítima, como símbolo da tragédia que aflige os motoboys. Segundo relatos, Bruno foi alvejado no rosto e os criminosos fugiram levando sua moto e pertences. A situação gerou um clima de luto e revolta entre os presentes, que se uniram para reivindicar medidas mais eficazes de segurança pública na região.
Histórias de perda e medo
Outro motoboy, Nicolas Camara Veloso, de 32 anos, lamentou a morte de Bruno, ressaltando que ele era um pai de família com responsabilidades. "Infelizmente, a gente acorda de manhã e não sabe nem se vai voltar pra casa", afirmou. Nicolas também mencionou o aumento alarmante de assaltos em São João de Meriti, onde a categoria se sente cada vez mais exposta e desprotegida.
A falta de apoio das autoridades
Os motoboys criticaram a falta de apoio dos políticos, que apenas se aproximam da categoria em épocas eleitorais. "Infelizmente, quando chega a política, os vereadores e o prefeito vêm querer apertar nossa mão, pedindo voto, mas hoje a gente não tem apoio deles", disse Nicolas. A frustração se estende a ações da polícia, que, segundo os motoboys, se limita a autuar trabalhadores em vez de combater a criminalidade.
Uma chamada por segurança
Luan Nascimento, de 22 anos, também participou do ato e expressou seu desejo de poder trabalhar em segurança. Ele relatou uma experiência pessoal de assalto e destacou a necessidade urgente de melhores condições de segurança para os motoboys. "São João de Meriti está largado. A gente só queria mais segurança, o poder de ir trabalhar e voltar", contou, revelando a insegurança que permeia a rotina dos entregadores.
O impacto da violência
Glesio Vinícius, de 32 anos, também compartilhou suas experiências com a violência que já levou a vida de colegas de profissão. Ele enfatizou que, mesmo em situações em que os motoboys não reagem aos assaltos, a violência é crescente e impiedosa. "Hoje em dia, os criminosos não se consideram ladrões, mas assassinos", observou Glesio, refletindo sobre a brutalidade que os motoboys enfrentam diariamente.
A luta por mudanças
O protesto foi realizado de forma pacífica, mas com um forte apelo por mudanças na segurança pública. Os motoboys expressaram sua insatisfação e a necessidade de serem ouvidos pelas autoridades. A categoria está unida na busca por justiça e melhorias que garantam a segurança de todos os trabalhadores. "Até quando o povo carioca, nós motoboys que ralamos na chuva e no sol, vamos aguentar essa violência? Queremos justiça!", concluiu Vinícius, refletindo a urgência da situação.