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MPE acusa deputado Val Ceasa de ligação com crime organizado

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação da candidatura do deputado estadual Val Ceasa (PRD) no Rio de Janeiro. O parlamentar é acusado de manter ligação com o crime organizado, a facção Terceiro Comando Puro (TCP).

A petição aponta uma relação de "simbiose" entre o político e o grupo criminoso, que atua no Complexo de Israel, na Zona Norte da capital. O pedido do MPE tem como base investigações da própria instituição e da Polícia Civil.

Provas e Acusações Detalhadas

Documentos reunidos indicam que a atuação de Val Ceasa teria beneficiado diretamente os interesses do traficante "Peixão", líder da facção. Um dos fatos detalhados ocorreu em dezembro de 2023, quando o deputado teria questionado o comando do 16º BPM (Olaria) sobre uma operação sigilosa para demolir construções irregulares em Parada de Lucas. Segundo o MPE, esses imóveis eram fortificações da cúpula do TCP, incluindo o "Resort do Peixão".

A ação também afirma que Val Ceasa usava supostos projetos sociais, como o "Deus Kids", para legalizar propriedades ligadas ao grupo criminoso. Banners com o nome do deputado e do projeto foram encontrados em locais atribuídos a "Peixão", sem registro oficial na Prefeitura do Rio.

Outro ponto levantado é a composição do gabinete do deputado na Assembleia Legislativa (Alerj). O MPE aponta que diversos assessores ou ex-assessores possuem antecedentes criminais ou vínculos familiares com integrantes do TCP.

A petição cita nomes como Josimar Carvalho Gabry, apontado como irmão de um integrante da facção, e Michael Johnny Vianna de Azevedo, indiciado em crimes relacionados a disputas de facções. O ex-assessor Zico Bacana, morto em ataque rival, também é mencionado.

Além disso, a ação sustenta que áreas dominadas pelo TCP funcionam como reduto eleitoral do parlamentar. Cerca de 12.240 votos de Val Ceasa nas eleições de 2022, 17,73% do total, vieram de seções eleitorais controladas pela facção em bairros como Parada de Lucas e Cordovil, o que comprometeria a liberdade de escolha dos eleitores.

O MP também menciona outras investigações envolvendo o deputado. Entre elas, um inquérito de 2021 sobre suposta atuação de milícia em Vista Alegre e outra de 2016, sobre extorsão e lavagem de dinheiro no Ceasa, onde taxas ilegais teriam sido cobradas de comerciantes.

A Defesa do Deputado

Em junho, Val Ceasa defendeu-se em sessão plenária da Alerj, classificando as investigações como "perseguição política". Ele afirmou que Deus e a Justiça provariam sua inocência, declarando-se uma "gente de bem".

O caso segue em apuração pela Justiça Eleitoral, com o futuro da candidatura de Val Ceasa ainda incerto.

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