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MPRJ investiga deputado e ex-vereador com votos em áreas do TCP

O deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins (PSD) estão sob investigação do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil. Os dados apontam votações expressivas da dupla em áreas da Zona Norte da capital dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).

A apuração, que culminou em operação na última quinta-feira (18), cruza dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com informações sobre a atuação de facções criminosas. Os investigadores veem na alta votação um indício de influência e associação com o grupo.

Votações em áreas controladas

Em 2022, Val Ceasa obteve mais de 69 mil votos. Desse total, cerca de 12,24 mil (aproximadamente 17,73%) foram contabilizados em comunidades sob o domínio do TCP, como Para Pedro, Acari e Beira Rio, além de bairros como Cordovil e Irajá.

Já Ulisses Marins, eleito vereador em 2020, somou mais de 10 mil votos em zonas eleitorais que abrangem Vigário Geral, Parada de Lucas e Brás de Pina. Essas localidades fazem parte do Complexo de Israel, que inclui também as favelas Cinco Bocas e Pica-Pau.

Acusações e operação

As investigações da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil e do MPRJ indicam suspeitas de que Val Ceasa estaria envolvido em lavagem de dinheiro para o TCP. Ele também teria atuado para favorecer a facção, especialmente em Irajá, e tentado impedir a demolição de um “resort” pertencente ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão.

O patrimônio declarado de Val Ceasa em 2022 era de R$ 1 milhão, mas a investigação apontou bens e movimentações que chegam a R$ 13 milhões. Na operação, foram apreendidos R$ 166 mil em dinheiro vivo na casa do deputado e R$ 150 mil em outros endereços ligados a ele.

Ulisses Marins, por sua vez, é acusado de usar um imóvel de seu comitê eleitoral para esconder armas e drogas para Peixão, o principal chefe do TCP no Complexo de Israel.

Val Ceasa negou as acusações à GloboNews, afirmando que trabalha em prol das pessoas mais humildes e que não procurou batalhão para impedir a demolição.

A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Um dos alvos foi a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O caso segue sob investigação das autoridades.

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