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Petrobras e Braskem assinam contratos bilionários de fornecimento

Petrobras e Braskem firmam acordos de R$ 98,5 bilhões para fornecimento de matéria-prima

A Petrobras, gigante estatal de energia, e a Braskem, sexta maior petroquímica do mundo, formalizaram uma série de contratos de fornecimento de matéria-prima que alcançam a impressionante cifra de US$ 17,8 bilhões, equivalente a R$ 98,5 bilhões. Este movimento estratégico, anunciado pelas companhias por meio de comunicados a investidores na noite de quinta-feira, 18, assegura a continuidade operacional da Braskem e consolida a Petrobras como um fornecedor-chave. Os acordos são de longo prazo, com prazos de validade que se estendem por até 11 anos, representando a renovação de contratos anteriores que estavam próximos de seu vencimento. A transação, pautada em referências internacionais de mercado, reflete a interdependência e a importância das duas empresas para a cadeia produtiva petroquímica brasileira.

Acordos estratégicos de longo prazo

Os contratos recém-firmados entre Petrobras e Braskem representam um marco significativo para o setor petroquímico nacional, garantindo a estabilidade no suprimento de insumos essenciais. A negociação, complexa e de grande envergadura financeira, assegura a previsibilidade para as operações da Braskem em diversas plantas pelo país e reforça a posição da Petrobras como um parceiro comercial vital. A decisão de renovar esses acordos com prazos tão estendidos demonstra uma visão de futuro e a confiança mútua entre as partes, crucial em um cenário econômico global volátil.

Renovação e valores de mercado

Com um montante global avaliado em US$ 17,8 bilhões, os novos contratos estabelecem uma base sólida para a parceria entre as duas empresas nos próximos anos. A validade de até 11 anos confere segurança e previsibilidade para o planejamento estratégico de ambas, permitindo investimentos e expansões com maior tranquilidade. A transparência na precificação é um ponto chave, uma vez que todos os valores foram calculados com base em referências internacionais, garantindo competitividade e alinhamento com as práticas de mercado globais. Essa abordagem mitiga riscos e fortalece a confiança dos investidores em um momento de transformações para a Braskem.

Detalhes dos principais suprimentos

Os acordos abrangem o fornecimento de três categorias principais de matérias-primas: nafta petroquímica, uma combinação de etano, propano e hidrogênio, e propeno. Cada um desses contratos possui características específicas em termos de volume, duração e locais de fornecimento, desenhados para atender às necessidades operacionais e estratégicas da Braskem em suas diversas unidades industriais espalhadas pelo Brasil.

Nafta petroquímica: base para o setor

Um dos pilares do pacote de contratos é o acordo para a venda de nafta petroquímica, um derivado fundamental do petróleo, destinado às unidades industriais da Braskem localizadas em São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Este contrato estabelece uma quantidade mínima mensal de retirada, com a flexibilidade de negociar volumes adicionais a cada mês. A projeção de fornecimento indica um aumento substancial ao longo do tempo, podendo atingir até 4,116 milhões de toneladas em 2026 e expandir para 4,316 milhões de toneladas em 2030, demonstrando a expectativa de crescimento da demanda. Com um valor estimado de US$ 11,3 bilhões, este contrato terá uma vigência de cinco anos, com início em 1º de janeiro de 2026, consolidando um pilar essencial para a produção de plásticos e resinas pela Braskem.

Etano, propano e hidrogênio para o polo carioca

Outra negociação de peso refere-se ao fornecimento de etano, propano e hidrogênio, insumos cruciais para a unidade da Braskem no Rio de Janeiro. Este contrato é dividido em duas fases distintas. De 2026 a 2028, a quantidade acordada mantém o patamar atual de 580 mil toneladas anuais em eteno equivalente, com a produção e o fornecimento provenientes da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na região metropolitana do Rio. A partir de 2029 e se estendendo até 2036, o contrato prevê um aumento significativo para 725 mil toneladas em eteno equivalente por ano, visando atender à planejada ampliação da Braskem, que se encontra em fase de projeto. O suprimento para essa fase expandida poderá vir tanto da Reduc quanto do Complexo Boaventura (antigo Comperj), também na região metropolitana do Rio. Este acordo, com valor estimado em US$ 5,6 bilhões e vigência de 11 anos a partir do primeiro dia de 2026, sublinha a aposta na expansão da capacidade produtiva da Braskem no estado.

Propeno: diversificação de fontes

O terceiro pilar dos acordos de fornecimento diz respeito à venda de propeno, uma matéria-prima versátil, originária de diversas refinarias da Petrobras: Reduc (RJ), Capuava (SP) e Alberto Pasqualini (RS). As quantidades contratadas variam por unidade, com até 140 mil toneladas anuais para a planta de Capuava e 100 mil toneladas para a Reduc. Adicionalmente, foi contratada uma quantidade escalonada da Refinaria Alberto Pasqualini, que apresenta um crescimento anual progressivo: 14 mil, 24 mil, 36 mil, 48 mil e 60 mil toneladas ao longo do período. Com um valor estimado em US$ 940 milhões, este contrato tem uma vigência de cinco anos, com início previsto para 18 de maio de 2026, garantindo uma fonte diversificada e robusta de propeno para as operações da Braskem.

Cenário societário da Braskem em transformação

Além de ser uma fornecedora essencial, a Petrobras possui uma participação societária significativa na Braskem, detendo 47% das ações com poder de voto. No entanto, o controle da petroquímica pertence à Novonor, antiga Odebrecht, que atualmente se encontra em processo de recuperação judicial – um regime legal que permite a uma empresa renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça para evitar a falência. A Braskem também enfrenta desafios, impulsionados pela baixa no mercado petroquímico internacional, um dos fatores que contribuem para a crise financeira da controladora Novonor.

A venda da participação da Novonor

Diante do cenário de recuperação judicial e da necessidade de reestruturação, a Novonor tem buscado ativamente vender sua participação na Braskem. Recentemente, em 15 de maio, a Braskem informou ao mercado que a Novonor celebrou um acordo de exclusividade com um fundo de investimentos. Este fundo, denominado Shine e assessorado pela IG4 Capital (empresa especializada em recuperação de empresas e situações de dificuldade), se propõe a assumir as dívidas da Braskem em troca de 50,111% das ações com poder de voto, o que lhe conferiria o controle acionário da companhia. Este movimento representa uma potencial mudança significativa na governança da Braskem, com a entrada de um novo player focado na reestruturação financeira e estratégica.

A posição da Petrobras e seus direitos

Após a divulgação do acordo de exclusividade entre a Novonor e o fundo de investimentos Shine, a Petrobras comunicou ao mercado que está monitorando a situação de perto. A estatal possui direitos societários importantes que podem influenciar o futuro da Braskem. Entre eles, destacam-se o direito de preferência, que lhe permitiria assumir a compra da participação da Novonor, caso decida exercer essa prerrogativa. Alternativamente, a Petrobras também detém o direito de tag along, uma cláusula que a autoriza a vender sua própria participação acionária para o novo entrante nas mesmas condições oferecidas aos acionistas controladores. Em seu comunicado, a Petrobras afirmou que irá acompanhar os desdobramentos e analisar os termos e condições da potencial transação para, no momento oportuno, decidir sobre o eventual exercício ou não desses direitos previstos no acordo de acionistas. Uma terceira opção para a Petrobras seria simplesmente manter sua posição societária atual, sem exercer nenhum dos direitos mencionados. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já expressou publicamente seu reconhecimento ao potencial estratégico e econômico do setor petroquímico, o que pode influenciar a decisão da estatal sobre o futuro de sua participação na Braskem. O desfecho dessa complexa movimentação societária será crucial para definir a governança e os rumos da Braskem nos próximos anos, com a Petrobras como um ator fundamental nesse tabuleiro.

Fonte: https://jovempan.com.br

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