Os preços do petróleo apresentaram uma queda significativa nesta terça-feira, 10 de outubro, após atingirem o nível mais alto em mais de três anos na sessão anterior. A desvalorização ocorre em resposta às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou que a guerra no Oriente Médio pode estar se aproximando do fim. Essa expectativa de resolução do conflito gerou alívio nas preocupações sobre interrupções prolongadas no abastecimento global de petróleo.
Queda nos preços do petróleo
Os contratos futuros do Brent crude oil chegaram a recuar US$ 6,28, ou 6,3%, estabelecendo-se em US$ 92,68 por barril. Da mesma forma, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), utilizado como referência nos Estados Unidos, caiu US$ 6,19, ou 6,5%, para US$ 88,58 por barril. Às 7h24, no horário de Brasília, o Brent registrou uma queda de 7,44%, cotado a US$ 91,60, enquanto o WTI caiu 6,84%, para US$ 88,29. Em um primeiro momento, ambos os contratos chegaram a despencar até 11%, antes de uma leve recuperação.
Contexto do aumento nos preços
Na sessão anterior, os preços do petróleo haviam superado a marca de US$ 100 por barril, alcançando o maior valor desde meados de 2022. Essa alta foi impulsionada, em grande parte, pelos cortes de produção promovidos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC) e outros produtores durante a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito ampliado gerou temores sobre interrupções significativas no fornecimento global.
Impacto das declarações de Trump
As declarações de Trump, que indicaram uma possível conclusão da guerra no Irã, foram reforçadas por uma conversa telefônica entre o ex-presidente e o presidente russo, Vladimir Putin. O Kremlin propôs soluções para um rápido desfecho do conflito, o que ajudou a aliviar as preocupações relacionadas ao fornecimento de petróleo. Em entrevista à CBS News, Trump afirmou que acredita que a guerra contra o Irã está “praticamente concluída” e que os Estados Unidos estão “muito à frente” do prazo inicialmente estimado.
Reações do mercado e do Irã
Os comentários de Trump foram interpretados como um sinal de que os mercados podem estar superestimando os riscos associados a um fornecimento de petróleo limitado. O líder da equipe de energia do DBS Bank, Suvro Sarkar, enfatizou que, apesar da queda acentuada, os preços do petróleo ainda precisam ser considerados em relação aos fundamentos do mercado. Os preços de petróleo do tipo Murban e Dubai ainda estão acima de US$ 100 por barril, indicando que, em alguns aspectos, a situação não mudou.
A resposta do Irã
Em resposta às declarações de Trump, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que a determinação do fim da guerra será feita por Teerã. A declaração, divulgada por meio da mídia estatal iraniana, alertou que o país não permitirá a exportação de petróleo da região caso os ataques dos Estados Unidos e de Israel continuem. Essa postura reafirma a complexidade da situação no Oriente Médio e as implicações que podem afetar o mercado global de petróleo.
Possíveis mudanças nas sanções e estratégias do G7
Apesar da queda nos preços, a situação permanece volátil, com Trump considerando a possibilidade de aliviar sanções contra a Rússia e liberar estoques emergenciais de petróleo. Essas medidas são vistas como parte de um esforço para conter a alta dos preços globais. Analistas apontam que as discussões sobre flexibilizar as sanções ao petróleo russo, junto com os comentários de Trump, sugerem que mais barris podem entrar no mercado em breve.
Preparações do G7
Os países do G7 também se manifestaram na segunda-feira, afirmando que estão prontos para adotar “as medidas necessárias” diante da escalada dos preços globais do petróleo. No entanto, não se comprometeram explicitamente a liberar reservas emergenciais. A postura dos líderes do G7 reflete a preocupação com o impacto da volatilidade nos preços do petróleo sobre a economia global, à medida que buscam formas de estabilizar o mercado.
Fonte: https://g1.globo.com