A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta terça-feira (12) investigando o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB) por supostas fraudes na Secretaria de Agricultura do Rio de Janeiro.
Durante o período apurado, entre 2019 e 2023, o patrimônio de Queiroz, que era secretário da pasta, teria aumentado 665%, conforme relatório da própria PF.
O levantamento da PF, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que Marcelo Queiroz tinha pleno conhecimento das irregularidades. Ele teria atuado ativamente para a continuidade do esquema na Secretaria de Agricultura do RJ.
Indícios apontam que o deputado se engajou na causa animal devido a contratos supostamente fraudados, visando ganho de votos e prestígio. Mesmo após deixar o cargo em 2023, Queiroz manteve vínculos com o grupo investigado, segundo as autoridades.
No centro da investigação está a empresa Consulvet, criada em julho de 2021, apenas três meses antes de assinar seu primeiro contrato. Com capital social de R$ 20 mil e sem filiais na época, a Consulvet firmou acordos que totalizam mais de R$ 8,3 milhões ainda em 2021.
O montante salta para R$ 193 milhões se contados todos os contratos celebrados até 2023. Um dos sócios da Consulvet era Antônio Emílio Santos, ex-diretor financeiro da Secretaria de Agricultura, que participou da convocação da licitação.
Marcelo Queiroz, como secretário durante todo o período, autorizou aditivos contratuais que elevaram os valores pagos à Consulvet.
Nesta manhã, o deputado teve o celular apreendido no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, ao embarcar para Brasília. Os agentes da PF cumprem mandados em pelo menos 12 endereços no Rio e em São Paulo, apreendendo joias, veículos e milhares de reais em espécie. Além de fraudes em licitações, os envolvidos respondem por organização criminosa.
O caso, que tramita no STF devido ao foro privilegiado de Queiroz, segue em apuração.