A Polícia Federal (PF) ouviu na última sexta-feira (31) o coronel Marcelo Menezes, ex-secretário da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no âmbito do inquérito da Operação Unha e Carne. A investigação busca esclarecer a cessão de um fuzil encontrado no carro do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella.
O armamento foi apreendido em julho deste ano em um veículo utilizado por Canella, que foi detido em flagrante e depois liberado para responder em liberdade. O caso gerou um inquérito para apurar a origem e a legalidade da cessão da arma.
O fuzil estava na mala do carro de Márcio Canella durante uma fase da Operação Unha e Carne. Canella alegou que a arma pertencia a um de seus seguranças. O sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior era o responsável pelo armamento, que, segundo a PM, estava cedido ao Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ).
A Polícia Militar informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o fuzil foi retirado do paiol do Quartel-General da corporação por determinação de Marcelo Menezes, que era então o secretário. Essa informação levou à necessidade de Menezes prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre a autorização para a retirada da arma.
Investigadores da PF apontam que o Detran informou não haver necessidade funcional para o sargento Alexandre Paixão, lotado na Corregedoria do órgão, utilizar um fuzil. A Polícia Federal agora investiga se o militar de fato atuava no Detran ou se a transferência visava exclusivamente sua integração à equipe de segurança de Canella, recebendo salário público sem exercer a função real. A cessão do armamento é considerada atípica, pois o militar não exercia funções diretamente ligadas à PM no momento.
O fuzil permanece apreendido pela Polícia Federal, e o depoimento de Menezes será encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. As investigações prosseguem para apurar as circunstâncias da cessão e eventuais responsabilidades.