A Polícia Federal (PF) revelou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria solicitado informações sobre seu colega Alexandre de Moraes em dados extraídos do celular de um banqueiro investigado.
Esse pedido, detalhado em relatório da PF, levou à abertura de uma investigação por abuso de autoridade contra Mendonça, por determinação do próprio Moraes, no âmbito do inquérito das fake news.
O relatório da PF, que integra a decisão de Moraes, aponta que Mendonça teria pedido, em agosto, a identificação e a íntegra de mensagens envolvendo pessoas mencionadas em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo a PF, o pedido se referia, na prática, a Alexandre de Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A corporação avaliou que o ministro extrapolou sua competência.
Ainda de acordo com a PF, Mendonça já teria conhecimento prévio de que Moraes seria o alvo das informações, tendo inclusive questionado em reuniões anteriores sobre o que havia a respeito do colega nos dados de Vorcaro.
Os documentos da PF são análises de inteligência e servem para subsidiar decisões, não tendo valor probatório em si, pois são produzidos em ambiente de informação incompleta.
O caso segue em apuração no Supremo Tribunal Federal.