A polícia investiga novas denúncias de tortura e maus-tratos contra a diretora e duas funcionárias de uma creche em Ramos, Zona Norte do Rio. As investigadas já foram condenadas por maus-tratos contra uma criança com paralisia cerebral.
A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) apura outros casos envolvendo as mesmas investigadas desde 2022.
Esta semana, a diretora e proprietária da creche, Danieli Alves Baptista Boniel, e as professoras Samantha Carla Alves Cavalcanti e Vitória Barros da Silva Rosa, foram sentenciadas a penas de 3 anos e 7 meses e 3 anos e 1 mês de reclusão, respectivamente, em regime inicial aberto. As penas foram substituídas por prestação de serviços à comunidade.
Nos casos sob investigação da Dcav, Vitória e Samantha são suspeitas de práticas abusivas, como agressões, restringir crianças a cadeiras e deixá-las no escuro.
Uma mãe relatou que, após entregar um penico para a filha de 4 anos usar na creche, descobriu que a criança era obrigada a fazer suas necessidades na sala de aula, na frente dos colegas, o que a deixava muito estressada.
As denúncias que levaram à condenação recente referem-se a agressões ocorridas em setembro de 2021, registradas por câmeras de segurança. As imagens mostravam uma criança presa por horas a uma cadeira adaptada, sem acesso a água, alimentação ou interação.
O juiz que analisou o caso destacou a ação da diretora Danieli Boniel ao afastar a mediadora que acompanhava a criança e orientar as professoras a mantê-la na cadeira. A decisão judicial apontou que as acusadas privaram a criança de alimentação e cuidados essenciais, demonstrando grave omissão no exercício do dever de guarda. As provas indicaram que a vítima era mantida sentada por longos períodos, em um dos dias por mais de 5 horas seguidas, sem acesso a líquidos nem interação com outras crianças.
A defesa das rés alega que recorrerá da condenação, argumentando que provas não foram devidamente consideradas pelo juiz e que não há evidências de que a criança foi obrigada a fazer necessidades fisiológicas na sala de aula.
Fonte: g1.globo.com