O diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, foi alvo da Operação Zona Cinzenta, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira. A investigação visa apurar a aplicação de cerca de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá em operações consideradas de alto risco. A ação, autorizada pela 4ª Vara da Justiça Federal, investiga possíveis irregularidades na gestão dos recursos previdenciários, que são cruciais para o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos no estado.
Relação com Davi Alcolumbre
Jocildo Lemos, indicado ao cargo de presidente da Amprev pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem uma trajetória política que o liga diretamente ao senador. Além de ser responsável pela sua indicação ao cargo em 2023, Lemos atuou como tesoureiro na campanha eleitoral de Alcolumbre em 2022 e faz parte do diretório nacional do União Brasil no Amapá, partido presidido pelo senador.
Agradecimentos públicos
Em um discurso realizado em 2024, durante a cerimônia do 'Prêmio Destaque Previdenciário', Lemos fez questão de agradecer ao governador Clécio Luís pela nomeação e, especialmente, a Davi Alcolumbre. A declaração reafirma a relação de proximidade e apoio político entre os dois, sendo amplamente divulgada no site oficial da Amprev.
Investigações da Operação Zona Cinzenta
A Operação Zona Cinzenta investiga a gestão de recursos previdenciários do estado, que teriam sido aplicados em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, uma operação considerada de alto risco. A Polícia Federal também cumpriu mandados contra dois membros do comitê de investimentos da Amprev: Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves. Este último foi exonerado em dezembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Alcance da operação
Os desdobramentos da Operação Zona Cinzenta apontam para um esquema que coloca em xeque a gestão dos recursos previdenciários do Amapá. A apuração se concentra em possíveis atos de gestão temerária e fraudulenta, que podem comprometer a aposentadoria de servidores públicos e a integridade financeira do regime previdenciário.
Influência política na Amprev
A Amapá Previdência é vista como um espaço de influência política significativa de Davi Alcolumbre. O advogado Alberto Alcolumbre, irmão do senador, também faz parte do Conselho Fiscal da autarquia, cargo que ocupa por indicação do parlamentar. Embora não tenha sido alvo da operação, sua inclusão no conselho reforça a percepção de que a gestão da previdência no Amapá está interligada a interesses políticos.
Reação de Davi Alcolumbre
A assessoria de imprensa de Davi Alcolumbre se manifestou, afirmando que o senador confia nas instituições e no trabalho da Justiça brasileira. O comunicado ressalta a importância da apuração dos fatos com transparência e que, ao final das investigações, eventuais responsáveis devem ser punidos conforme a legislação. No entanto, a assessoria não se posicionou sobre a relação pessoal e política entre Alcolumbre e Jocildo Lemos, nem sobre as indicações para a Amapá Previdência.
Contexto político no Amapá
O governador do Amapá, Clécio Luís, aliado político de Davi Alcolumbre, filiou-se ao União Brasil em janeiro, com o apoio do senador. Clécio, que é pré-candidato à reeleição, mantém uma relação de alinhamento político com Alcolumbre desde o início do seu mandato. A Operação Zona Cinzenta se insere em um contexto de crescente atenção sobre as práticas administrativas e a transparência nas gestões públicas, especialmente em um período eleitoral.
Fonte: https://gazetabrasil.com.br