Quitéria Chagas, rainha de bateria da escola de samba Império Serrano, fez uma mudança inesperada em sua fantasia para o desfile de Carnaval deste ano, atendendo ao pedido da renomada escritora Conceição Evaristo. A mudança ocorreu a apenas duas semanas do grande evento, onde a autora é tema do enredo da agremiação. Representando a Orixá Oxum, Quitéria compartilhou a experiência emocionante de alterar sua vestimenta para honrar a mensagem que Evaristo desejava transmitir, enfatizando a importância cultural e emocional dessa decisão.
Mudança de fantasia em cima da hora
A mudança da fantasia de Quitéria Chagas destaca a flexibilidade e a conexão espiritual que muitas vezes permeiam as apresentações no Carnaval. Originalmente, a fantasia estava desenhada para representar outra personalidade, mas a escritora revelou que a Orixá Oxum desejava que Quitéria a representasse de forma mais autêntica. Essa solicitação não apenas destacou a importância de Oxum na cultura afro-brasileira, mas também refletiu a relação especial entre a rainha de bateria e a escritora, que é vista como uma figura de força e inspiração.
A relação entre Quitéria e Conceição
Quitéria Chagas elogiou a relação que mantém com Conceição Evaristo, descrevendo-a como 'maravilhosa'. Para ela, essa ligação vai além da simples colaboração artística; trata-se de uma conexão que ressoa com suas próprias histórias de luta e resistência. A rainha de bateria não hesita em expressar a honra que sente ao poder representar Oxum, uma figura central na religiosidade afro-brasileira, e ao mesmo tempo, dar voz a uma narrativa que é profundamente significativa para a comunidade.
A fantasia de Oxum
A fantasia que Quitéria Chagas vestiu para o desfile foi cuidadosamente elaborada, apresentando um tom amarelo-ouro, que é tradicionalmente associado a Oxum, a deusa das águas doces e da fertilidade. O traje era adornado com espelhos costurados no tecido, simbolizando a beleza e a riqueza da cultura afro-brasileira. Ao pisar na Avenida, Quitéria não apenas exibiu sua fantasia, mas também fez uma poderosa declaração de identidade e resistência, recebendo aclamação do público presente e celebrando a força das mulheres negras no Carnaval.
Significado cultural do Carnaval
O Carnaval é um momento em que várias culturas se entrelaçam, e a representação de figuras mitológicas como Oxum é uma maneira de preservar e celebrar a herança africana no Brasil. As escolas de samba, como o Império Serrano, desempenham um papel fundamental em trazer essas histórias e tradições à luz, utilizando o desfile como um meio de educação e conscientização. A mudança de fantasia de Quitéria é um exemplo claro de como a arte pode servir para expressar questões sociais e culturais, refletindo as lutas e as vitórias de uma comunidade.
O impacto da decisão de Quitéria
Ao decidir mudar sua fantasia de última hora, Quitéria Chagas não apenas atendeu ao pedido de Conceição Evaristo, mas também enviou uma mensagem poderosa sobre a importância da colaboração e do respeito às tradições culturais. Sua atitude ressalta a relevância do Carnaval como um espaço de diálogo e reflexão, onde as vozes das mulheres e das comunidades afro-brasileiras podem ser exaltadas. O ato de representar Oxum no desfile transcende a mera estética, tornando-se um símbolo de empoderamento e luta.
Expectativas para o desfile
Com a aproximação do desfile, as expectativas em torno da apresentação do Império Serrano e da performance de Quitéria aumentam. A combinação de uma fantasia rica em simbolismo e a presença carismática da rainha de bateria promete não apenas um espetáculo visual, mas também uma experiência emocional que tocará o coração de muitos. A escola se prepara para homenagear não apenas Conceição Evaristo, mas toda uma história de luta e resistência que se reflete em cada passo dado na Avenida.
Essa mudança de fantasia também provoca uma reflexão sobre a importância de ouvir as vozes que compõem a rica tapeçaria cultural brasileira. O Carnaval, com suas múltiplas expressões, continua a ser um espaço vital para a afirmação da identidade e da história, onde cada detalhe conta uma parte da narrativa coletiva.
Fonte: https://extra.globo.com