Editorial por Angel Morote
A quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, ficará marcada na memória dos riostrenses não pelo sol escaldante do verão, mas pelo frio na espinha causado pelo silêncio imposto pelos criminosos. O que vimos nos bairros Âncora, Nova Cidade e arredores não foi apenas um “toque de recolher”; foi um sequestro da liberdade de ir e vir, um atentado contra o direito à educação e um golpe direto no sustento de dezenas de comerciantes.
É inadmissível que, em pleno período de matrículas escolares, mães e pais de família sejam obrigados a recuar diante de portões fechados por ameaças de delinquentes. A educação, pilar de qualquer sociedade, não pode ser refém do crime organizado. Quando uma escola fecha suas portas por medo, o Estado perde uma de suas batalhas mais importantes.
Policiamento de Proximidade: O Centro e a Orla
O Projeto Segurança Presente tem sido um respiro para o Centro e a Orla de Rio das Ostras. A presença dos agentes traz uma sensação de ordem que o comércio local e os turistas tanto prezam. No entanto, é preciso cobrar que essa mesma eficiência e visibilidade sejam mantidas de forma implacável no coração comercial da cidade, garantindo que o “efeito dominó” do medo não chegue às áreas de maior circulação. O Centro é a vitrine da nossa economia e não pode, sob hipótese alguma, demonstrar vulnerabilidade.
Ações Enérgicas onde o Palma da Mão do Crime Aperta
Contudo, a segurança pública não pode ser feita apenas de “vitrines”. É preciso olhar para o Âncora, para o Cláudio Ribeiro e para o Nova Cidade com a seriedade que a gravidade exige. Ações enérgicas e cirúrgicas de inteligência são urgentes. O Governo do Estado não pode tratar Rio das Ostras como uma cidade de veraneio que “se resolve sozinha”.
A prefeitura faz sua parte ao investir no Proeis e no Presente, mas o braço forte da investigação e do combate ao tráfico de armas e drogas é responsabilidade do Estado. Não queremos apenas viaturas circulando após o caos; queremos o desmantelamento das lideranças que, de dentro de presídios ou de comunidades distantes, se acham no direito de mandar fechar o nosso comércio.
Uma Sugestão para a Vitória da Ordem
Sugerimos às autoridades que:
- Estabeleçam bases fixas e integradas (PM, GCM e Aprev) dentro dos bairros mais vulneráveis, e não apenas patrulhamentos esporádicos.
- Utilizem a tecnologia de monitoramento da cidade para identificar cada motocicleta que circulou hoje espalhando terror, punindo não só quem deu a ordem, mas quem a executou.
Rio das Ostras é maior que o crime. A resposta das autoridades precisa ser, no mínimo, tão audaciosa quanto foi a afronta dos criminosos nesta quarta-feira. A população não aceita menos que a retomada total da sua paz.