Em um cenário onde a inteligência artificial redefine o mercado de trabalho, o futebol também se torna um campo de experimentação. A RoboCup Brasil apresenta robôs humanoides que entram em campo, superando limitações humanas como cansaço e lesões.
O objetivo, no entanto, não é a substituição de jogadores de carne e osso, mas sim a superação. A entidade brasileira, ligada à RoboCup Federation, inspirada por um marco histórico na IA, almeja realizar, até 2050, uma partida de futebol entre robôs e a seleção campeã mundial daquele ano.
Equipes de diversas universidades participam ativamente das competições, incluindo Warthog Robotics (USP), TALOS (Universidade Federal de Goiás), RobôCIn (Universidade Federal de Pernambuco), BahiaRT (Universidade Estadual da Bahia) e PINGUIMBOTS (Universidade Federal de Pelotas).
Segundo Rafael Lang, vice-presidente da RoboCup Brasil, as competições abrangem diversas modalidades, desde futebol e dança até robôs em ambientes domésticos e resgate. O objetivo é impulsionar o desenvolvimento tecnológico e fomentar a robótica nacional.
A RoboCup, com raízes em 1993 e uma “filial” brasileira desde 1997, tem visto um crescente interesse das universidades.
Embora os robôs possam ser controlados remotamente fora de campo, durante a partida, todas as ações são resultado da programação de cada equipe, transformando o evento em um teste de desenvolvimento e programação.
As máquinas são padronizadas e produzidas por uma startup especializada, que desenvolve robôs para diversas finalidades, incluindo o futebol. O técnico da empresa explica que o robô precisa perceber a bola, sua posição em campo, as traves e os adversários para tomar decisões.
Uma das partidas acompanhadas foi a virada da Talos contra a Warthog Robotics. A equipe Talos, da UFG, faz referência à mitologia grega, com um autômato de bronze e a tocha olímpica em seu símbolo, aludindo à intenção de expandir para outras modalidades esportivas.
Além da programação, a preparação envolve testes em simulação para aprimorar habilidades, como o chute. Próximo à competição, a estratégia torna-se crucial, definindo formações e táticas.
Para Pedro Chiamulera, cofundador da AI Brasil, o objetivo é unir a IA a modelos que vão além do hype, impactando negócios e democratizando o entendimento sobre a inteligência artificial.
A RoboCup também se estende à Olimpíada Brasileira de Robótica e à Competição Brasileira de Robótica, eventos importantes na América Latina, com edições futuras programadas em Vitória e João Pessoa.
Fonte: www.estadao.com.br