Roger Machado, ex-treinador do São Paulo, revisitou sua conturbada passagem pelo clube em entrevista recente ao Estadão.
Ele refletiu sobre a rejeição da torcida, que começou antes de sua apresentação, e a relação 'adoecida' no futebol.
O gaúcho, de 51 anos, descreveu a experiência como um grande aprendizado de resiliência. Machado lamentou ter sido alvo de chacota pela forma técnica de se expressar, mas compreendeu melhor a posição do treinador frente ao torcedor.
Ele ressalta que o futebol amplifica e cristaliza aspectos da sociedade, incluindo suas mazelas. "Essa relação que a gente hoje está vivendo adoece a todos nós, inclusive o torcedor", afirmou o técnico.
Roger acredita que suas posições explícitas na política e na luta antirracista também contribuem para parte da rejeição que enfrenta na carreira. Ele questionou a expectativa de que o discurso fosse apenas meritocrático.
A passagem de dois meses no São Paulo foi um desafio sem precedentes, onde a dimensão da rejeição foi "totalmente desproporcional" ao que estava acostumado. Ele aprendeu que, na dor da derrota, o torcedor busca conexão emocional, não apenas explicações táticas.
A reflexão de Roger Machado aponta para um debate importante sobre o cenário atual do futebol brasileiro.