Na madrugada deste sábado, a Rússia lançou o maior ataque aéreo noturno contra a Ucrânia em 2025, conforme relatado por autoridades ucranianas. A ofensiva ocorreu poucas horas após as negociações de paz que envolveram representantes de Kiev, Moscou e Washington, indicando uma intensificação militar mesmo em meio a tentativas de diálogo. O ataque resultou em uma vítima fatal e deixou 31 feridos em diversas regiões do país, refletindo a escalada da tensão entre os dois países.
Detalhes do ataque aéreo
Os ataques aéreos ocorreram enquanto uma segunda rodada de negociações estava em andamento em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Durante a ofensiva, mísseis e drones russos atingiram a capital ucraniana, Kiev, levando as Forças Armadas do país a ativar os sistemas de defesa aérea. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou a morte de uma pessoa e relatou danos significativos, incluindo incêndios que afetaram edifícios residenciais e deixaram aproximadamente 6 mil apartamentos sem aquecimento, em meio a temperaturas de -12 °C.
Impactos em outras regiões
Além de Kiev, a cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia, também foi alvo dos ataques. O prefeito Ihor Terekhov informou que a ofensiva danificou uma maternidade e um abrigo para deslocados internos, resultando em pelo menos 19 feridos, incluindo uma criança. No total, mais de 370 drones e 21 mísseis foram lançados pela Rússia, com alvos prioritários nas regiões de Sumy e Chernihiv, focando em instalações do setor energético, considerado vital durante o rigoroso inverno.
Negociações de paz e suas implicações
O ataque aéreo ocorreu logo após o término do primeiro dia de negociações entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos. A questão territorial continua sendo o principal obstáculo nas conversas, com o Kremlin insistindo na retirada da Ucrânia da região de Donbas, uma condição que tem sido repetidamente rejeitada por Kiev. A região de Donbas, composta por Donetsk e Luhansk, é considerada estratégica, sendo rica em carvão e possuindo uma forte infraestrutura militar.
Composição das delegações
Nas negociações em Abu Dhabi, a Rússia enviou uma delegação que incluía representantes militares e de inteligência, enquanto a Ucrânia foi representada por diplomatas de alto escalão e autoridades de segurança. Os Estados Unidos também participaram com uma equipe composta por figuras próximas ao presidente, incluindo Jared Kushner e Steve Witkoff, o que demonstra o interesse americano em influenciar o resultado das negociações. O governo dos EUA tem pressionado por um acordo de paz, apesar das críticas sobre a possibilidade de que tal acordo beneficie a Rússia.
Reações e perspectivas
Após as negociações, Rustem Umerov, principal negociador da Ucrânia, expressou esperança por uma 'paz digna e duradoura' e agradeceu aos Estados Unidos pela mediação. Ele também anunciou que novas reuniões estavam agendadas para este sábado. Em um tom cauteloso, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que é 'muito cedo' para tirar conclusões sobre as negociações, mas reconheceu que, pela primeira vez, a Rússia demonstrou disposição para discutir o fim da guerra. A posição da Ucrânia, no entanto, permanece clara, com um foco contínuo na proteção da soberania nacional.
Fonte: https://gazetabrasil.com.br