O ex-atacante Sávio, ídolo do Flamengo e tricampeão da Champions League pelo Real Madrid, comentou sobre o atual momento do futebol brasileiro e de jogadores como Vini Jr. e Endrick. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal Estadão, diretamente de Madri.
Representando o clube espanhol no lançamento de uma escola esportiva no Rio de Janeiro, Sávio criticou a perda do 'DNA brasileiro' na formação de atletas. Ele também defendeu ser contra a limitação de estrangeiros nas competições nacionais.
Conselho a Vini Jr. sobre fase no Real
Vini Jr., outra joia revelada pelo Flamengo, tem enfrentado críticas na Espanha. Sávio, que também viveu altos e baixos no Real Madrid, vê a oscilação como algo normal e pediu serenidade ao compatriota. "O conselho que eu daria a ele hoje é: menos exposição possível e muito trabalho", afirmou.
O ex-ponta reforçou que Vini Jr. precisa manter a coragem e sua identidade em campo. Ele recordou um valioso ensinamento que recebeu de Roberto Carlos ao chegar no clube espanhol em 1998: "Nunca perca a sua essência, cara. Pega a bola, dribla, tenta de novo… seja você que você vai ganhar o Santiago Bernabéu".
Situação delicada de Endrick
Situação ainda mais delicada vive Endrick no Real Madrid. Apesar de ter sido convocado por Carlo Ancelotti para a seleção, o atacante praticamente não entrou em campo pelo time espanhol. "A dimensão do Real Madrid não é fácil. Duas derrotas seguidas aqui já é uma crise geral", analisou Sávio.
Ele ponderou sobre uma possível saída de Endrick para buscar mais minutos em campo. Sávio lembrou sua própria experiência de deixar o Real ao perder espaço com a chegada de Zidane. "Eu tinha ambição de continuar jogando no mais alto nível e preferi sair. Estar no Real Madrid é fantástico, mas cada um avalia sua carreira e o seu momento".
Preocupação com o DNA do futebol brasileiro
Apelidado de ‘Anjo Loiro’ nos tempos de jogador e campeão brasileiro pelo Flamengo em 1992, Sávio demonstrou preocupação com os rumos do trabalho nas categorias de base do país. Para ele, o futebol brasileiro tem priorizado esquemas táticos rígidos em detrimento da criatividade individual.
"Nós perdemos uma coisa fundamental no futebol brasileiro, que é o nosso DNA. O futebol evoluiu, mas ficou um pouco mais mecanizado, com muita preocupação com a parte tática e física, e perdeu a essência do drible e do improviso", afirmou.
Contra a limitação de estrangeiros
Apesar da insatisfação com a metodologia de formação atual, Sávio se posicionou contra a proposta da CBF de reduzir o limite de estrangeiros nas competições nacionais. Ele argumenta que a globalização é um caminho sem volta no esporte e citou a Premier League inglesa como exemplo de integração bem-sucedida.
"Eu não concordo com essa medida porque o futebol está globalizado. Na Inglaterra, são 70% de estrangeiros. O caminho não é criar barreiras, mas sim qualificar a nossa base e trazer de volta às nossas origens", declarou.
O debate sobre o futuro do futebol brasileiro e a formação de novos talentos segue em pauta no cenário esportivo.