O Sistema Único de Saúde (SUS) começará a vacinar cerca de 1,1 milhão de profissionais de saúde contra a dengue, a partir do dia 9 de fevereiro. A vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é a Butantan-DV, que se destaca por ser a primeira do mundo a ser administrada em dose única. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em um evento realizado no último domingo. A vacinação é uma medida estratégica para proteger aqueles que atuam na linha de frente do atendimento à saúde, especialmente nas unidades básicas de saúde, onde o contato com os pacientes é mais frequente.
Detalhes da vacinação
Os profissionais que serão vacinados incluem médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Esses trabalhadores desempenham um papel crucial no atendimento a pacientes com sinais e sintomas de dengue, sendo os primeiros a identificar e tratar casos da doença. De acordo com o ministro Padilha, a vacinação deste público é viabilizada pela entrega de novas doses da Butantan-DV. O Instituto Butantan se comprometeu a fornecer aproximadamente 1,1 milhão de doses até o final de janeiro, garantindo assim que os profissionais possam ser imunizados no início de fevereiro.
Eficácia da vacina Butantan-DV
A Butantan-DV oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, apresentando uma eficácia global de 74% e uma redução de 91% nos casos graves da doença. Além disso, a vacina garante 100% de proteção contra hospitalizações decorrentes da dengue. Esses dados são baseados em estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Expansão da vacinação
O governo federal planeja expandir a vacinação em dose única da Butantan-DV para toda a população brasileira com idades entre 15 e 59 anos. Essa ampliação dependerá da disponibilidade de novas doses da vacina, que foram encomendadas no mês anterior. Para acelerar a produção, o Instituto Butantan firmou uma parceria com a empresa WuXi Vaccines, da China, o que deve multiplicar a capacidade de fabricação do imunizante em até 30 vezes.
Expectativas para o futuro
O ministro Padilha estimou que, até o final deste ano, o Brasil poderá contar com 25 a 30 milhões de doses da Butantan-DV, possibilitando que a vacinação para a faixa etária de 15 a 59 anos seja realizada de forma progressiva. Inicialmente, a prioridade será dada aos indivíduos mais velhos, começando pelos 59 anos, e avançando até os mais jovens, com 15 anos. A inclusão da vacina no calendário oficial de vacinação está prevista à medida que as doses se tornam disponíveis.
Avaliação em pessoas acima de 60 anos
O Instituto Butantan já recebeu autorização da Anvisa para iniciar avaliações da Butantan-DV em pessoas com mais de 60 anos. O recrutamento de voluntários para essa pesquisa já começou, e o ministro expressou otimismo quanto à segurança e eficácia do imunizante para essa faixa etária. Essa etapa é considerada fundamental para o combate à dengue, especialmente entre os idosos, que são mais suscetíveis a complicações da doença.
Início da campanha de vacinação
A campanha de vacinação em massa começou em Botucatu (SP) e será estendida a outras cidades, como Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Essa iniciativa serve como um projeto piloto para avaliar o impacto da nova vacina na população. O ministro Padilha destacou a importância da Butantan-DV, ressaltando que ela pode se tornar uma ferramenta valiosa não apenas no Brasil, mas também em outros países que enfrentam surtos de dengue.
Alternativas de imunização
Para o público de 10 a 14 anos, o SUS já oferece o imunizante internacional QDenga, que requer um esquema vacinal de duas doses. O Brasil se destaca como o primeiro país do mundo a disponibilizar essa vacina no sistema público de saúde. Recentemente, o ministro Padilha anunciou a ampliação da aplicação do QDenga para todo o país, o que mostra o compromisso do governo em combater a dengue por meio de diferentes estratégias de imunização.
A vacinação contra a dengue é uma prioridade do SUS, e com a introdução da Butantan-DV, espera-se que a proteção da população contra essa arbovirose seja significativamente ampliada. A combinação de novas vacinas e a ampliação da cobertura vacinal são passos essenciais para enfrentar as epidemias de dengue no Brasil.