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Tabelião que matou família da esposa é condenado a 70 anos

O tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcellos foi condenado a mais de 70 anos de prisão, na noite desta terça-feira (17), em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio.

A sentença encerra um dos casos criminais de maior repercussão na cidade, onde ele foi julgado pelo assassinato da esposa grávida e dos sogros em agosto de 2021.

Sentença por triplo homicídio e aborto

O júri popular considerou Ricardo Jucá culpado pelo triplo homicídio da mulher, Nahatty Gomes, que estava grávida de seis meses, e de seus pais, Rosemary Gomes da Cunha e Wellington Gomes Melo. Ele também foi condenado pelo crime de aborto provocado.

A pena total foi de 70 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão em regime fechado. A juíza Simone Dalila Nacif considerou agravantes como feminicídio, violência doméstica e a impossibilidade de defesa das vítimas.

A defesa do tabelião já informou que irá recorrer da decisão. Mesmo com a possibilidade de recurso, Ricardo Jucá segue preso preventivamente desde agosto de 2021.

Julgamento intenso mobilizou a cidade

O julgamento, que durou cerca de 29 horas, foi dividido em dois dias e mobilizou familiares, advogados, o Ministério Público e a Defensoria Pública. Muitas pessoas acompanharam de perto o desfecho do processo que intrigou a cidade por quase cinco anos.

O júri havia sido interrompido em dezembro de 2022, após o próprio réu destituir seu defensor, o que levou à remarcação de todo o processo.

Depoimentos e argumentos decisivos

No primeiro dia de sessões, testemunhas de defesa e acusação foram ouvidas. Entre os relatos, o depoimento de Saliha Mello, irmã de Nahatty, foi marcante ao relembrar os últimos momentos da família.

Ricardo Jucá foi interrogado e manteve a versão de que sofreu um surto psicótico, não se lembrando dos crimes. A Defensoria Pública defendeu a tese de incapacidade mental, buscando a absolvição imprópria.

Contrariando essa versão, o Ministério Público argumentou que o crime foi premeditado e que o réu agiu com total consciência. Um vídeo emocionante, com fotos e áudios das vítimas, foi exibido pela acusação, comovendo a todos no plenário.

A juíza, ao proferir a sentença, destacou que as provas indicavam que Ricardo Jucá tinha plena consciência de seus atos no dia do crime. Ela ressaltou atividades normais horas antes e comportamento incompatível com um surto, descartando a tese da defesa.

Impacto na família e na comunidade

A magistrada também pontuou a extrema gravidade das consequências do crime, que destruiu praticamente um núcleo familiar inteiro. O impacto devastador e o sofrimento permanente dos parentes sobreviventes foram fatores cruciais para a alta pena.

A leitura da sentença foi acompanhada de grande emoção no plenário. Familiares das vítimas se abraçaram, e a frase “Agora você vai poder dormir em paz” foi dita por Paulo Campos, cunhado de Nahatty, à sua esposa Saliha, simbolizando o fim de uma longa espera por justiça.

A situação segue sendo acompanhada de perto pela comunidade de Nova Friburgo, que viu este caso se desenrolar por anos.

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