O Ministério Público do Rio (MPRJ) investiga a suposta infiltração da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Nesta quinta-feira (18), o deputado estadual Val Ceasa foi alvo de uma operação.
Além do parlamentar (PRD), mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor Michael Johnny Vianna de Azevedo. A ação apura o favorecimento a interesses de traficantes.
De acordo com o relatório do MPRJ enviado à Justiça, há indícios de parlamentares atuando para beneficiar o TCP. Entre as suspeitas, está a tentativa de obter informações sobre uma operação policial sigilosa que visava demolir imóveis usados pelo grupo criminoso.
Em dezembro de 2023, Val Ceasa e Ulisses Marins teriam ido ao 16º BPM (Olaria) para questionar sobre uma ação em Parada de Lucas. A operação mirava propriedades de alto padrão – com piscina e academia – identificadas como pontos de encontro da facção.
Após o encontro, autoridades notaram mudanças nos locais investigados, como retirada de equipamentos e instalação de faixas com supostos projetos sociais. Para o MPRJ, uma tentativa de mascarar o uso ilícito, já que não há registros oficiais.
A investigação reúne depoimentos que apontam influência do TCP em áreas com forte base eleitoral dos políticos. Parte considerável dos votos de Val Ceasa e Ulisses Marins se concentra em regiões dominadas pela facção.
O Ministério Público destaca a infiltração do crime organizado em instituições políticas, comparando o caso a outras investigações sobre o Comando Vermelho (CV) na Alerj. O órgão afirma que o TCP “também se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”.
Após ser alvo, o deputado Val Ceasa declarou estar sofrendo perseguição política. Ele afirmou que, se a investigação for séria, sairá como “herói” e que “a população sabe quem é Val Ceasa, eu trabalho de domingo a domingo dando dignidade para a população”.
O caso segue em apuração pelas autoridades.