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Tragédia em Campos: homem morre carbonizado após denúncia de abandono e suposta omissão de socorro

G1

Um homem de 56 anos, identificado como Marcos de Souza Fidelis, foi encontrado morto e carbonizado em sua residência no bairro Parque Rosário, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A trágica descoberta ocorreu na manhã da última quarta-feira (15), nove dias após um vídeo registrar sua precária condição de saúde e moradia.

A morte chocou a comunidade e reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade social e a eficiência dos serviços públicos de atendimento. O vídeo, divulgado dias antes, mostrava Marcos em situação de abandono, precisando de ajuda urgente, e levanta sérios questionamentos sobre uma suposta falha no socorro.

Contexto da tragédia e o apelo por ajuda

As imagens que antecederam a tragédia foram gravadas em 6 de abril por Sérgio Pessanha Viana, que denunciou a situação de Marcos. Ele revelou um cenário desolador na Rua São Jerônimo: um quintal tomado pelo mato, a casa sem móveis, sem água ou energia elétrica.

Marcos, debilitado por um AVC sofrido há cerca de cinco anos, vivia deitado em um colchonete no chão, com dificuldades severas de locomoção. Para iluminar o ambiente à noite, dependia de velas, um detalhe que ganha contornos dramáticos após seu falecimento.

No vídeo, Sérgio expressa indignação e apela por socorro, afirmando ter acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). As imagens mostram Marcos se sentando com expectativa ao ouvir sobre o Samu, chegando a perguntar se seria levado ao Hospital Ferreira Machado.

A controvérsia do atendimento e a omissão alegada

Sérgio Pessanha Viana relatou que, após contatar os Bombeiros e ser orientado a chamar o Samu, uma equipe compareceu ao local. Contudo, segundo seu depoimento, os profissionais teriam se recusado a prestar atendimento ou encaminhar Marcos para um hospital.

“Eles estiveram no local com a ambulância, olharam o caso, e o Samu falou que não poderia fazer nada. Foi totalmente omisso com a situação”, afirmou Sérgio ao g1, lamentando o desfecho. Ele esperava uma postura mais humana e a interligação com outros órgãos competentes.

Em resposta, a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, responsável pelo Samu, emitiu uma nota. O texto informa que o serviço atua exclusivamente em urgência e emergência, e que casos fora desse perfil levam à orientação para procurar outros órgãos, conforme avaliação médica.

A prefeitura, porém, não confirmou nem negou a ida da ambulância ao local, o que intensifica a dúvida sobre a versão apresentada pelo denunciante. A disparidade entre os relatos exige uma apuração detalhada para esclarecer a conduta do serviço de saúde pública.

Investigação em andamento e a rede de apoio informal

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de Marcos de Souza Fidelis. A linha principal de investigação, até o momento, aponta para um acidente. A corporação aguarda o laudo da perícia para confirmar as causas do incêndio que vitimou o homem.

O delegado responsável informou que não havia registro formal de abandono familiar ou situação de vulnerabilidade. A esposa de Marcos também prestou depoimento e não relatou uma situação de abandono, o que contrasta com a percepção de vizinhos e do denunciante.

Apesar da ausência de registros oficiais, moradores do bairro Parque Rosário relataram que Marcos vivia sozinho e dependia da ajuda da comunidade. Vizinhos o auxiliavam diariamente, levando café da manhã e outras refeições, demonstrando uma rede de apoio informal e solidária.

Foi um cheiro de queimado sentido na rua na tarde de terça-feira (14), por volta das 17h, que alertou os vizinhos. A incapacidade de identificar a origem do cheiro naquela ocasião precedeu a trágica descoberta do corpo carbonizado na manhã seguinte.

Vulnerabilidade social e a necessidade de atenção

O caso de Marcos de Souza Fidelis expõe de forma crua as falhas no sistema de proteção social. A história levanta questões sobre o amparo a idosos e pessoas com deficiência, muitas vezes invisíveis às redes formais de assistência, seja por desconhecimento ou por burocracia.

A Secretaria Municipal de Assistência Social lamentou a morte, mas afirmou não ter sido notificada previamente. Este ponto ressalta a dificuldade em identificar e atuar em situações de vulnerabilidade extrema antes que se tornem tragédias irreversíveis.

A morte de Marcos não é um caso isolado e ecoa a realidade de muitos brasileiros em condições precárias, sem acesso a moradia digna, saneamento básico e, principalmente, a um sistema de saúde e assistência social que funcione de forma integrada e humanizada.

O episódio em Campos dos Goytacazes serve como um doloroso lembrete da urgência em fortalecer as políticas públicas. É preciso garantir que o elo entre a denúncia popular e a efetiva resposta dos órgãos competentes não seja quebrado, protegendo os mais fragilizados.

Acompanhar casos como o de Marcos de Souza Fidelis é fundamental para compreendermos os desafios sociais do nosso tempo. O Rio das Ostras Jornal segue comprometido em trazer informação relevante e contextualizada, abordando temas que impactam a vida de todos. Para se manter informado sobre este e outros assuntos importantes, continue acessando nosso portal e acompanhe as atualizações diárias.

Fonte: https://g1.globo.com

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