O ex-presidente Donald Trump tem exigido que a Europa pague e se alinhe à agenda estratégica dos EUA em troca de proteção militar, afirmou o especialista Sandro Teixeira Moita.
Essa visão, que trata aliados europeus mais como "vassalos", tem gerado grande tensão geopolítica e reações nos países do continente.
Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), ressaltou que Trump vê os europeus como estados a serem pressionados ao máximo para seguir a vontade americana. Ele não os trata como parceiros, mas como subordinados.
Um exemplo recente dessa pressão é a saída do general Christopher Donahue. Comandante supremo aliado na Europa e defensor da Ucrânia, seu pedido de reserva evidencia as prioridades americanas.
Outro caso notório foi a revelação de Trump sobre mais de 500 voos de aeronaves americanas a partir de bases italianas, usados contra o Irã. A declaração gerou forte repercussão política na Itália.
Embora a Europa discuta autonomia estratégica desde 2017, as iniciativas avançam lentamente. Esse vácuo é aproveitado por Trump para intensificar as cobranças e garantir o alinhamento total. Dados mostram que, desde o primeiro mandato de Trump, US$ 1,2 trilhão foram gastos pelos europeus em defesa, com parte significativa indo para a indústria militar americana.
A discussão sobre o futuro da defesa europeia e o papel dos EUA continua.