Uma pesquisa promissora desenvolvida na UFRJ em Macaé revelou avanços significativos no tratamento de lesões medulares graves. A substância polilaminina, criada pela cientista Tatiana Sampaio, demonstrou alta taxa de recuperação em testes iniciais.
A descoberta, que lotou o auditório do Nupem/UFRJ em palestra recente, acende a esperança para pacientes e pode mudar o panorama de tratamentos no mundo.
Os resultados são animadores. No estudo da fase 1, 75% dos oito pacientes com maior comprometimento por lesão medular apresentaram evolução para níveis menos graves. Este índice é um salto notável, comparado aos cerca de 10% observados na literatura científica para casos similares.
A polilaminina é fruto de um trabalho iniciado em 1997 no laboratório da UFRJ. A equipe da Dra. Sampaio conseguiu restaurar a estrutura original da laminina (uma célula isolada), criando uma ferramenta mais eficaz que a laminina sozinha. Experimentos com animais já mostravam sucesso, com o crescimento de axônios dentro da substância.
O estudo clínico, intitulado "Intramedullary injection of polymerized laminin in acute traumatic spinal cord injury: a first-in-human pilot study", foi publicado recentemente pela renomada revista científica Spinal Cord (Springer Nature). Ele atestou a segurança da injeção da polilaminina na medula, e as mortes registradas no grupo não tiveram relação com o experimento.
Apesar do otimismo, a jornada para o acesso amplo é longa. A Anvisa recentemente restringiu o uso compassivo da polilaminina, exigindo estudos regulatórios completos (fases 1, 2 e 3) e o registro do medicamento. Este processo pode levar de seis a sete anos, devido aos rigorosos padrões internacionais da agência.
A cientista Tatiana Sampaio também destacou os desafios culturais e financeiros. Ela aponta para um "complexo de vira-lata" e machismo no reconhecimento da pesquisa brasileira. “Ninguém esperava que um medicamento com tal potencial saísse de um laboratório brasileiro, com pouca estrutura de financiamento”, afirmou.
Barreiras na proteção da patente também foram mencionadas. Uma interação com uma farmacêutica francesa não prosperou, pois a patente brasileira foi considerada "fraca" para exploração comercial exclusiva, dificultando a captação de recursos.
A pesquisa segue para as próximas fases, buscando a aprovação definitiva e o acesso amplo aos pacientes que necessitam dessa inovação.