A situação do transporte público na cidade do Rio de Janeiro se agrava para os passageiros que dependem dos ônibus para se deslocar entre as zonas Norte e Sul. As viações Auto Ônibus e Real têm um prazo até esta sexta-feira (30) para regularizar a situação de mais de 200 veículos que estão fora das normas exigidas. Atualmente, apenas 16 dos 200 ônibus da Viação Auto Ônibus estão em conformidade, enquanto a Viação Vila Isabel não tem nenhum veículo que tenha realizado a vistoria nos últimos doze meses. A prefeitura anunciou que os ônibus que não atenderem às exigências poderão ser rebocados a partir de sábado (31).
Impacto na vida dos passageiros
Os passageiros enfrentam dificuldades significativas devido à escassez de ônibus nas linhas que conectam diferentes regiões da cidade. Na manhã desta sexta-feira, uma equipe de reportagem registrou a situação em um ponto de ônibus na Leopoldina, na Zona Central, onde dezenas de pessoas aguardavam por mais de uma hora. A linha 460, que liga São Cristóvão ao Leblon, é uma das mais afetadas, com sua frequência reduzida.
Novas linhas de ônibus
Recentemente, a Prefeitura do Rio anunciou a criação da Linha 475, que conecta o Metrô São Cristóvão ao Leblon. No entanto, essa nova linha não atende a Leopoldina, deixando os passageiros que dependem da Avenida Francisco Bicalho sem opções. Além disso, os ônibus que saem do Terminal Gentileza em direção à Zona Sul estão frequentemente lotados e não param no ponto da Leopoldina, agravando ainda mais a situação.
Descontentamento dos usuários
Muitos usuários expressaram seu descontentamento com a falta de ônibus. Mônica, por exemplo, relatou ter esperado mais de uma hora e vinte minutos por um ônibus da Linha 463, que conecta São Cristóvão a Copacabana. Após a longa espera, ela decidiu optar por um carro de aplicativo. "Todo dia é essa correria. Me sinto humilhada, porque eles acham que a gente anda de graça. A gente não anda de graça. Merecia ter um pouco mais de respeito", declarou.
Ações da prefeitura
Além da Linha 475, a prefeitura anunciou outras duas novas linhas: a Linha 111, que liga a Central do Brasil ao Leblon, e a Linha 014, que conecta Paula Matos à Central do Brasil. Licinio Machado Rogério, presidente da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio (FAM-RIO), considera que essas medidas são tentativas de atender à demanda da população, mas ressalta que a consulta aos usuários é essencial para que as novas linhas realmente atendam às necessidades.
Prazo para regularização das viações
O subsecretário da Secretaria Municipal de Transportes, Guilherme Braga, confirmou que o prazo para a realização das vistorias das frotas das viações Auto Ônibus e Vila Isabel termina nesta sexta-feira. A partir de sábado, os ônibus que não estiverem regularizados poderão ser rebocados e as empresas responsáveis, multadas. Essa situação levanta preocupações sobre a continuidade do serviço de transporte, já que ambas as empresas estão enfrentando dificuldades financeiras.
Dificuldades financeiras das empresas
As viações Real e Vila Isabel já enfrentam déficits financeiros, com relatos de falta de dinheiro para pagar os funcionários e até mesmo para a aquisição de combustível. A expectativa é que o Consórcio Intersul, responsável pelas duas empresas, intervenha na situação, mas a falta de ação até o momento tem gerado descontentamento. Funcionários têm reportado demissões e atrasos nos pagamentos, inclusive no vale-alimentação, evidenciando a crise que atravessam essas viações.
Repercussão entre os funcionários
Funcionários das viações têm se manifestado sobre a situação, com um motorista da Vila Isabel denunciando a falta de pagamento e o atraso no vale-alimentação. Ele expressou sua indignação: "Covardia o que a empresa fez com a gente, funcionários da Vila Isabel. Estão mandando todo mundo embora, trabalhamos o mês todo. Nosso vale-alimentação já está dois meses atrasado". A situação é alarmante e demanda atenção urgente das autoridades.
A crise no transporte público do Rio de Janeiro é um reflexo de problemas estruturais que afetam a mobilidade urbana. A regularização das frotas e a comunicação eficaz entre a prefeitura e os usuários são fundamentais para garantir um serviço de qualidade e respeitar o direito dos cidadãos ao transporte digno.
Fonte: https://g1.globo.com