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RJ: Violência contra mulher dispara mesmo com 20 anos da Lei Maria da Penha

Nesta sexta-feira, 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completa duas décadas de existência. Apesar do marco legal no combate à violência contra a mulher, o Rio de Janeiro enfrenta um cenário alarmante, com os índices de agressão crescendo na maioria dos casos.

Dados recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam para um aumento em quatro dos cinco tipos de violência registrados no estado entre 2024 e 2025, indicando desafios persistentes na proteção das vítimas e na efetividade da legislação.

A análise do ISP Mulher detalha que a violência sexual teve o maior crescimento percentual, saltando 4,1% (de 8.339 para 8.681 ocorrências). A violência moral e psicológica também apresentaram alta, com 3,2% (de 37.571 para 38.819) e 3,21% (de 47.473 para 48.999), respectivamente. A violência patrimonial subiu 1,9%, passando de 8.334 para 8.492 registros. Curiosamente, a violência física foi o único tipo a cair, com uma redução de 1% (de 43.743 para 43.307) no mesmo período.

A realidade por trás dos números é vivenciada por mulheres como a atriz e jornalista Cristiane Machado. Em 2018, ela ganhou notoriedade ao filmar as agressões sofridas pelo ex-marido, culminando em sua condenação. A história de Cristiane ilustra a complexidade e a coragem necessárias para denunciar.

Cristiane aponta que vergonha e medo são barreiras cruciais que ainda impedem muitas vítimas de buscar ajuda. 'É necessário ter mais do que coragem para seguir adiante', disse ela, destacando o temor do agressor e a incerteza sobre a impunidade, mesmo com a proteção legal.

A atriz, pioneira no uso do 'botão do pânico' no RJ, critica a fiscalização da lei. Ela defende maior rigor no monitoramento dos agressores e mais preparo para juízes, assistentes sociais e psicólogos que lidam diretamente com as mulheres em situação de violência.

Em uma frente de empoderamento, a professora de boxe Ana Lúcia Moreira, conhecida como Anallu, criou turmas exclusivas para mulheres na Boxe Fit, na Taquara. A iniciativa visa fortalecer vítimas e prevenir a violência através do esporte e da autoconfiança.

Anallu percebeu que muitas alunas buscavam superar o medo e recuperar a autoestima. Seus treinos vão além dos golpes, focando na consciência situacional e na capacidade de reação rápida, antes mesmo que o contato físico aconteça. Ela relata um caso de sucesso em que uma aluna conseguiu se defender de agressões graças às aulas.

O combate à violência contra a mulher segue como um desafio prioritário no Rio de Janeiro, exigindo contínua atenção e aprimoramento das políticas públicas.

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