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Família resgatada de trabalho escravo em sítio de Araruama

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou um proprietário rural de Araruama, na Região dos Lagos, por submeter uma mulher e suas duas filhas adolescentes a condições análogas à escravidão. A grave situação foi descoberta após denúncias e uma fiscalização conjunta.

A família trabalhou sem salário em um sítio entre dezembro de 2018 e o final de 2023, sob promessa de apenas alimentação. As vítimas, que viviam em condições desumanas, realizavam tarefas pesadas do nascer ao pôr do sol.

As investigações, iniciadas por denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelaram um cenário de extrema degradação. A mãe e as filhas moravam em uma estrutura inacabada de alvenaria, sem itens básicos como geladeira ou fogão, cozinhando em um buraco no chão.

A mobília no local era fruto de doações de vizinhos e de uma igreja, evidenciando a vulnerabilidade. As vítimas exerciam funções como roçar mato com foices, cuidar de animais e limpar o espaço após eventos na propriedade.

Além da exploração do trabalho, as duas menores de idade foram impedidas pelo empregador de frequentar a escola e não sabem ler ou escrever. Um dos fatos mais chocantes é que uma das adolescentes perdeu parte de um dedo em um acidente grave com uma máquina de moer capim.

O MPF solicitou a condenação criminal do acusado e o pagamento de uma indenização mínima de R$ 500 mil por danos morais às vítimas. A pena para este tipo de crime pode variar de dois a 32 anos de reclusão. O caso segue para análise da Justiça Federal.

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