O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta pressão crescente e uma crise interna na entidade. O estopim foi seu plano de vender ativos da Copa do Mundo, revelado no último ano.
A tensão, que já se desenhava como uma "guerra fria" com federações europeias há alguns anos, transformou-se em um confronto aberto no cenário político do futebol.
Dois eventos recentes evidenciam a escalada do conflito, que antes era velado. Em maio de 2025, um Congresso da Fifa em Assunção, Paraguai, sofreu um atraso de mais de duas horas. A demora foi causada por uma viagem de Infantino ao Oriente Médio com o então presidente dos EUA, Donald Trump. Presidentes de federações europeias expressaram descontentamento, com cerca de 20 delegados ausentes após um intervalo, em sinal de protesto.
Outro momento marcante ocorreu em julho de 2026, na final da Copa do Mundo em Nova Jersey. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, não compareceu, mesmo com a Espanha, um membro filiado, disputando a taça. A ausência foi atribuída a problemas na competição e, possivelmente, à revelação do plano de venda de ativos da Copa um dia antes, em Nova York.
A complexidade da disputa também se manifesta em outros movimentos. Ceferin, por exemplo, convidou o árbitro somali Omar Artan para a Supercopa Europeia, aproximando-se da cúpula da Confederação Africana, aliada política de Infantino. Artan foi impedido de entrar nos EUA para trabalhar na Copa. Além disso, a Confederação das Américas do Norte e Central (Concacaf), que sediou a Copa de 2026, demonstra oposição. Em um congresso em Vancouver, o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, fez um discurso que, à época, soou como elogio, mas hoje é visto como crítica à liderança de Infantino.
Montagliani é inclusive cotado como um possível sucessor, caso o atual comandante da Fifa não seja reeleito ou deixe o cargo antes. O futuro de Gianni Infantino dependerá intensamente de sua capacidade de articulação política com as federações nacionais, que votarão na eleição de março de 2027 ou em uma possível assembleia para discutir sua saída antecipada.