O Senado dos Estados Unidos rejeitou, nesta quinta-feira, uma resolução que visava impedir o presidente Donald Trump de ordenar ataques militares contra a Venezuela sem a aprovação do Congresso. A votação ocorreu um dia após autoridades do governo informarem a parlamentares sobre a ausência de uma justificativa legal para bombardear o território venezuelano.
A resolução, patrocinada pelos democratas Tim Kaine e Adam Schiff, e pelo republicano Rand Paul, buscava reafirmar o poder do Congresso em autorizar operações militares prolongadas, conforme exigido pela Constituição dos EUA. A preocupação com uma possível ofensiva de Trump contra a Venezuela aumentou após ataques dos EUA a barcos na costa do país.
Trump tem mencionado a possibilidade de ação militar na Venezuela há semanas e confirmou ter autorizado a CIA a conduzir operações de inteligência no país. Embora tenha negado estar considerando ataques dentro da Venezuela na semana passada, os EUA mantêm uma forte presença militar no Caribe, com caças, navios e milhares de soldados.
A votação no Senado resultou em 49 votos a favor e 51 contra, com a maioria republicana de 53 cadeiras no Senado, liderada pelo partido de Trump, bloqueando a aprovação da resolução. Anteriormente, o Senado já havia rejeitado, por 51 a 48, uma resolução que buscava suspender os ataques a barcos.
Parlamentares de ambos os partidos têm expressado preocupação com a falta de informações sobre os ataques, incluindo o número de mortos, as evidências de tráfico, os custos da operação e a estratégia do governo para a América Latina. O senador Mark Warner, do Comitê de Inteligência, afirmou que a justificativa legal apresentada pelo governo para os ataques aos barcos não inclui autorização para ataques diretos ao território venezuelano.
Nos últimos dois meses, o governo Trump afirma que as forças americanas realizaram ao menos 16 ataques contra embarcações no Pacífico e no sul do Caribe, resultando em 65 mortes. O governo alega que os alvos eram “narcoterroristas” que transportavam drogas e representavam um risco para os americanos, mas não apresentou evidências ou explicou publicamente por que decidiu atacar os barcos em vez de interceptá-los e prender as pessoas a bordo.
Fonte: g1.globo.com